Chamada para publicação - Vol 18, nº 2

04-02-2022

Memória, patrimônio e usos do passado

Recebimento de artigos: até 04 de março de 2022.

 

A Revista Especialidades (PPGH-UFRN) lança chamada para o Dossiê “Memória, Patrimônio e usos do passado”. O objetivo é estimular o debate que o tema suscita em diálogo com o escopo da revista.

A memória consiste em um esforço pela busca de sentido do presente, uma resistência ao tempo que ameaça toda a vida. Seu propósito é o de oferecer às sociedades humanas a ilusão de que a voragem do tempo não lança toda sua experiência em um passado inacessível, de que é possível recuperar, pela lembrança, os resíduos de vida que jazem sob a poeira do esquecimento.

De início, enquanto campo de estudo aberto ao interesse dos pesquisadores de diversas matizes (a história, a antropologia, a filosofia, a arquitetura, a psicologia etc.), a memória enseja um debate que dialoga diretamente com a proposta desta revista, o debate em torno dos espaços público e privado.

No campo individual e privado, o passado cintila nas folhas envelhecidas de cartas antigas, nas fotografias preservadas em álbuns ou entre as páginas de livros e cadernos igualmente velhos, nos relatos de experiências dos avós, na celebração dos aniversários, assim como nos ritos em torno da morte. Fica evidente, portanto, a dimensão afetiva que a memória encerra.

De outro lado, a memória também se verifica no campo coletivo, e com frequência se manifesta no espaço público, tendo no patrimônio, material ou imaterial, uma expressão privilegiada de sua operação. Temos aí uma outra possibilidade de entrada no debate espacial: a memória e o patrimônio como campos de disputas na constituição de identidades coletivas, portanto, identidades espaciais.

A chamada memória coletiva consiste em uma representação, sugere uma identidade que pretensamente descreve a partilha de lembranças entre membros de dada sociedade. A memória se inscreve no patrimônio material edificado, nas tradições, nas biografias consideradas dignas de serem celebradas, no folclore, nos variados saberes e mesmo nos costumes, e concorrem para definir a identidade da aldeia, da cidade, da região ou da nação. Eis, mais uma vez, a dimensão espacial em evidência.

O passado também é objeto de poder, também sofre as reivindicações de grupos que pretendem legitimar os seus projetos de dominação, fazendo prevalecer o seu enunciado como o representativo de todos os membros da coletividade. Memória e patrimônio são o tempo inteiro mobilizados pelas ideologias, que se esforçam para consagrar ou apagar determinado personagem da história.

Os usos políticos do passado também se oferecem ao pesquisador como objeto do maior interesse, ainda mais que se trata de fenômeno que se consubstancia no espaço, seja ele simbólico ou material. Convidamos, portanto, todas as pesquisadoras e pesquisadores que trabalham com o tema da memória e do patrimônio, bem como dos usos que deles fazem os diferentes grupos políticos, para contribuírem com o dossiê da Revista Espacialidades (Volume 18.2 – 2022.2).

Também serão aceitos artigos de temáticas livres que atendam ao escopo da revista, concernentes aos conceitos espaciais (território, espaço, lugar, paisagem, deslocamento, domínio, fronteira, jurisdição, dentre outros), para compor a Seção Livre do volume.

Lançamento: 2022.2