DOSSIÊ Sociologia da Alimentação

15-01-2019

Organizadoras:

Profa. Dra. Michelle Jacob (PPGCS UFRN) e  Msc. Viviany Chaves (PPGCS UFRN)

Data limite para submissão: 15/04/2019

Convidamos a comunidade de pesquisadores interessados ou dedicados a pensar as relações entre sociologia e alimentação a submeter seus artigos para a Inter-Legere: Revista do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

As práticas alimentares são profundamente influenciadas pelos modelos culturais estabelecidos em uma sociedade, demarcando tanto as semelhanças como as diferenças étnicas e sociais, classificando e hierarquizando os grupos, incorporando diferentes níveis de simbolização até evidenciar que, de fato, somos o que comemos. Isto significa dizer que os alimentos além de nutrirem, têm significados. O homem incorpora significados e partilha com seus pares uma infinidade de representações no ato de comer. Desse modo, podemos considerar a seguinte questão: Por que comemos o que comemos?

Para responder esta questão é necessário considerar que no atual contexto da hipermodernidade a alimentação vem sofrendo transformações de natureza ideológica, ética, estética, política e de saúde. Tais mudanças têm sido incorporadas aos diferentes modelos alimentares existentes. Logo, modificar a alimentação de um povo implica modificar um tecido que está inscrito seus gostos, seus valores, suas crenças e suas práticas.

 

Diante do cenário ocupado pelo pragmatismo da ciência, emergem pesquisadores que despertam para a necessidade de contextualizar o fenômeno alimentar e suas interfaces com o campo das Ciências Humanas e Sociais. Este diálogo transdisciplinar é fundamental para a compreensão de temas complexos que permeiam o campo da alimentação, ao reconhecer que o comer é um fenômeno biocultural por excelência e, portanto, os alimentos assumem significados e dão sentido às nossas ações cotidianas.

Para pensar a alimentação a partir das Ciências Sociais é preciso estabelecer um ponto de encontro entre os saberes, dentro das especialidades de cada área, um espaço comum. Os avanços que desenvolveram uma sociologia e uma antropologia da alimentação deve-se as contribuições de pesquisadores(as) como Claude Lévi-Strauss que, sob um enfoque estruturalista, realizou uma leitura simbólica sobre o comer; Mary Douglas e a importância do papel social dos alimentos, cuja lógica classificatória está subjacente às proibições alimentares; Audrey Richards que inaugurou este campo de investigação antropológica, observando as relações entre cultura e alimentação; Claude Fischler com sua tese sobre o onívoro, desenvolver estudos sobre a dimensão antropológica da alimentação humana, assim como sobre as relações do homem com seu corpo, e entre outros. Nesse sentido, o alimento não serve somente para comer, serve para pensar, mas também para comunicar, como ressalta Lévi-Strauss.

A partir destas considerações, este Dossiê foi pensado em fazer da alimentação um objeto sociológico, com o propósito de reunir diferentes reflexões no escopo desta abordagem que se encontra em pleno estágio de desenvolvimento. Espera-se, portanto, que as reflexões levantadas inspirem o fortalecimento desse debate no âmbito da pesquisa e ensino no país.