FÉ E PODER
A PRESENÇA NEERLANDESA E A CONSTRUÇÃO DO MARTÍRIO EM CUNHAÚ E URUAÇU
Resumo
Este artigo busca analisar a expansão e presença neerlandesa no norte do Brasil, sobretudo no Rio Grande (do Norte), considerando seus aspectos econômicos, sociais e religiosos, bem como sua articulação com os indígenas na então capitania do Rio Grande. Essas ações, impulsionadas pelo movimento da Ação Católica nas figuras de Monsenhor Paulo Herôncio e Monsenhor Assis Pereira, construíram uma narrativa de “martírio” e “ódio à fé” para fomentar uma identidade católica local e justificar o processo de canonização das vítimas. Em contraste, a análise sugere que as motivações reais eram mais complexas, envolvendo tensões econômicas, disputas territoriais e as alianças pragmáticas entre neerlandeses e povos indígenas, opondo-se à visão simplista de perseguição religiosa. Finalmente, o texto demonstra como essa construção da memória e sacralização do espaço foi usada como um instrumento de unidade simbólica e resistência à alteridade neerlandesa e indígena. O objetivo é entender a conjuntura dos acontecimentos envolvendo os neerlandeses e o ocorrido na então capitania, traçando as narrativas propagadas pela historiografia regional cuja principal contribuição girou em torno da narrativa de formação de uma identidade católica local envolta do “martírio”, bem como a ação da Igreja através dos mecanismos que o movimento de Ação Católica e a classe religiosa propiciaram levando a cabo o processo de canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu.
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