Chamada para o Dossiê “Transição energética, territórios e justiça socioambiental”

12-01-2026

Chamada para o Dossiê

A chamada transição energética tem sido amplamente mobilizada no debate contemporâneo acerca das mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e a reestruturação dos sistemas produtivos. Frequentemente apresentada como um caminho associado à mitigação da crise ambiental, a expansão das chamadas energias renováveis — como a eólica, solar e biomassa — tem sido objeto de pesquisas críticas que vêm demonstrando que tais processos não estão isentos de conflitos sociais, desigualdades e impactos socioambientais profundos.

Nesse contexto, muitos pesquisadores têm problematizado a transição energética no Brasil, especialmente no Nordeste. Estes pesquisadores questionam a equivalência automática entre energia renovável e energia limpa, revelando como a implantação de grandes empreendimentos energéticos pode reproduzir modelos de desenvolvimento excludentes, promover desterritorializações, intensificar vulnerabilidades socioambientais e silenciar comunidades locais, como pescadores artesanais, agricultores familiares, povos tradicionais e populações costeiras.

Inspirado por essa abordagem crítica, este dossiê propõe reunir trabalhos que analisem a transição energética a partir de uma perspectiva interdisciplinar, crítica e situada, enfatizando as relações entre energia, território, poder, justiça ambiental e participação social. Busca-se contribuir para o debate acadêmico e político sobre os limites e possibilidades de uma transição energética que seja, de fato, socialmente justa e ambientalmente responsável.

Serão bem-vindas contribuições que dialoguem com um ou mais dos seguintes eixos:

- Críticas à noção de “energia limpa” e aos discursos hegemônicos da transição energética;

- Transição energética e justiça energética/justiça socioambiental;

- Impactos sociais, ambientais e territoriais da energia eólica, solar e de outras fontes renováveis;

- Conflitos socioambientais associados a grandes empreendimentos energéticos;

- Energia, território e processos de desterritorialização e reconfiguração do uso da terra;

- Ação coletiva de movimentos sociais, resistências comunitárias e formas de mobilização social frente aos projetos energéticos, particularmente os complexos eólicos e solares.- Metodologias críticas e pesquisas engajadas em estudos sobre energia e território.


As submissões — em português, espanhol, francês ou inglês — podem ser enviadas até 30 de abril de 2026, pela plataforma da revista:
https://periodicos.ufrn.br/cronos/about/subissons
As submissões passarão por processo de revisão por pares duplo-cego e devem seguir rigorosamente nas normas da Cronos.