MEMÓRIA E RECORDAÇÃO POR MEIO DA TRANSMISSÃO ORAL: A VELHA TOTONHA, CONTADORA EM MENINO DE ENGENHO

Autores

  • Elizabete de Lemos Vidal UFPA

Palavras-chave:

José Lins do Rêgo, romance, memória, narrador

Resumo

Análise do romance Menino de engenho (1932) de José Lins do Rêgo, com o objetivo de identificar, no narrador, a recomposição do emaranhado de lembranças que são a base de construção da personagem “velha Totonha”. Assim, o narrador referencia a contribuição das mulheres na formação social, percepção da análise que está em acordo com os estudos desenvolvidos por Perrot (1989). À luz das fundamentações teóricas de Walter Benjamin (1994) e de Antonio Candido (1975), verifica-se que a criação do romance de José Lins do Rêgo evidencia a preocupação do autor em destacar a importância da transmissão oral utilizando fórmulas consagradas pela tradição literária. Esse traço dos povos sem escrita garante à personagem um lugar privilegiado junto à galeria dos aedos da antiguidade. O sujeito da reminiscência organiza um processo de seleção de imagens localizadas na memória com as quais pretende articular passado e presente. No entanto, não se pode perder de vista que, mesmo orientadas pela rememoração do sujeito, tais imagens apresentam lacunas do tempo não recuperado. Admite-se que as imagens fissuradas são preenchidas com fios da experiência, segundo Benjamin (2000). Todas as referências apresentadas, nas quais são descritas e enumeradas muitas funções e atribuições de um contador, nos parecem  diretamente  ligadas  às  funções atribuídas à personagem velha Totonha.

Profa. Dra. Elizabeth de Lemos Vidal  - Professora da Faculdade de Letras da UFPA. Doutora em Literatura Comparada (UFRN)

vidal@ufpa.br

 

Artigo submetido para avaliação em 26/08/2016; publicado em 07/09/2016.

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Publicado

07-09-2016

Como Citar

VIDAL, E. de L. MEMÓRIA E RECORDAÇÃO POR MEIO DA TRANSMISSÃO ORAL: A VELHA TOTONHA, CONTADORA EM MENINO DE ENGENHO. Imburana: revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses, [S. l.], v. 7, n. 13, p. 18–28, 2016. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/imburana/article/view/10031. Acesso em: 2 out. 2022.