“Miragem da ausência”:

as representações sobre o sertão norte oriental da América portuguesa

  • Paulo Henrique Marques de Queiroz Guedes Doutor em História – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE)

Resumo

Neste artigo, partimos do princípio de que o sertão, do ponto de vista histórico, não deve ser projetado apenas como uma espécie de tipo específico de espaço, haja vista que esse espaço não poderia se configurar em uma materialidade engessada no clima, ecologia, sociedade e/ou economia típicas. Noutro sentido, consideramos que o sertão norte oriental da América portuguesa pode ser melhor dimensionado como uma condição, enquanto representações atribuídas e reorientadas continuamente, tornando o sertão um conceito móvel. Em outras palavras, observamos que novos contextos fomentaram ressignificações, novas representações do espaço ou, ainda, transformações na apropriação deste. Destaquemos que uma problematização do espaço-sertão exigiu um diálogo interdisciplinar entre a história e a geografia cultural. Tratou-se de entender como os homens da época concebiam o sertão, para que se possa apreender seu universo simbólico e compreender suas práticas político-culturais, considerando que o espaço geográfico é dotado de historicidade. Assim, entendemos que as representações construídas sobre o sertão norte oriental da América portuguesa compuseram uma “geodinâmica da estigmatização”, que corresponde aos estigmas lançados sobre o sertão e seus habitantes ao longo do tempo. Neste caso, há de se pensar nas relações de poder expressos nas valorações construídas pelos “de fora” em relações ao espaço-sertão e seus moradores.

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Publicado
18-08-2019
Como Citar
DE QUEIROZ GUEDES, P. H. M. “Miragem da ausência”:. Mneme - Revista de Humanidades, v. 19, n. 42, p. 21-52, 18 ago. 2019.