A TRADIÇÃO DA PESCA NO TERRITÓRIO SESMARIA DO JARDIM (MARANHÃO): CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS E ESTRATÉGIAS DE MOBILIZAÇÃO

  • Flávio Bezerra Barros Professor dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia e Agriculturas Amazônicas da UFPA e Ciências Ambientais da UNEMAT. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. https://orcid.org/0000-0002-6155-0511
  • Noemi Sakiara Miyasaka Porro Ph.D. em Antropologia Social pela University of Florida. Professora do Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas da UFPA. https://orcid.org/0000-0002-8781-4351
  • Anny da Silva Linhares Mestre em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável pela UFPA. Coordenadora da Comissão de Territórios Tradicionais do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (ITERMA). https://orcid.org/0000-0002-2441-8685
  • Ciro de Souza Brito Mestre em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável pela UFPA. Professor da Universidade da Amazônia (UNAMA). https://orcid.org/0000-0002-5912-4839

Resumo

O artigo discute as práticas e os conhecimentos tradicionais associados à pesca no contexto de conflitos socioambientais envolvendo criadores de búfalos e as comunidades quilombolas Bom Jesus e São Caetano, ambos localizadas no Território Sesmaria do Jardim, município de Matinha, Estado do Maranhão. As estratégias de mobilização social levadas a cabo pelas famílias quilombolas com vistas a conservação do ambiente e o direito de acesso e uso dos recursos presentes nos campos inundáveis também são objeto de reflexão neste texto. Partimos de uma abordagem da pesquisa-ação e os métodos de investigação se assentam em entrevistas etnográficas, lista livre, observação participante, discussões em grupo de enfoque e oficinas para ação pública. Os resultados demonstram como diferentes atores sociais se apropriam de modos distintos dos campos para exercer usos concorrentes. Os pescadores artesanais reivindicam o livre acesso ao campo enquanto recurso de uso comum, para o desenvolvimento de suas práticas sociais no trabalho da pesca associado à conservação dos recursos e da natureza. Criadores de búfalos e piscicultores, numa outra lógica, impõem a privatização dos campos, através da implantação de cercas elétricas e açudes artificiais para criação de peixes exóticos. Concluímos que a pesca artesanal dos quilombolas se constitui de práticas e conhecimentos tradicionais, e acima de tudo é construída por processos de resistência por direitos definidos num campo de forças políticas.

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Publicado
29-04-2020
Como Citar
BARROS, F. B.; PORRO, N. S. M.; LINHARES, A. DA S.; BRITO, C. DE S. A TRADIÇÃO DA PESCA NO TERRITÓRIO SESMARIA DO JARDIM (MARANHÃO): CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS E ESTRATÉGIAS DE MOBILIZAÇÃO . Vivência: Revista de Antropologia, v. 1, n. 53, 29 abr. 2020.
Seção
Dossiê/Dossier