AFRO-PATRIMÔNIO NO PLURAL: A MISTURA NO CANDOMBLÉ COMO VALOR EXCEPCIONAL

  • Stefania Capone Doutora em Etnologia pela Universidade de Paris X-Nanterre. Diretora de pesquisa de primeira classe no Centro Nacional de Pesquisa Cientí- fica da França (CNRS)e membro do Centro de Estudos em Ciências Sociais da Religião (CéSor) da EHESS, Paris https://orcid.org/0000-0001-7374-3081
  • Mariana Ramos de Morais Doutora em Ciências Sociais pela PUC Minas. Pesquisadora associada do Centro de Estudos em Ciências Sociais da Religião (CéSor) da EHESS, Paris. https://orcid.org/0000-0002-1604-2366

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão sobre o processo de patrimonialização das religiões afro-brasileiras, com foco especial no candomblé. Desde pelo menos a década de 1950, essa religião, quando entendida como um dos elementos que compõem a cultura popular, sobretudo os vinculados aos afrodescendentes, tem sido valorizada na construção de uma ideia de nação brasileira. No entanto, tal valorização não ocorre sem conflitos e negociações, evidenciados no tombamento de alguns terreiros de candomblé pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Dentre os poucos terreiros alçados a patrimônio nacional, os de matriz jeje-nagô são predominantes. Associações de adeptos de candomblé que reivindicam uma herança cultural banta questionam essa hegemonia. Para tanto, esforçam-se em cravar à sua representação uma raiz africana “autêntica”, lançando-se na busca de uma África banta, ou tentam fazer da “mistura” sua marca distintiva.

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Publicado
11-12-2020
Como Citar
CAPONE, S.; MORAIS, M. R. DE. AFRO-PATRIMÔNIO NO PLURAL: A MISTURA NO CANDOMBLÉ COMO VALOR EXCEPCIONAL. Vivência: Revista de Antropologia, v. 1, n. 55, 11 dez. 2020.
Seção
Dossiê/Dossier