O Artesanato da Legalização

notas sobre os processos de reposicionamento da maconha no debate público contemporâneo

Autores

  • Marcos Veríssimo Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos

DOI:

https://doi.org/10.21680/2446-5674.2025v12n22ID37169

Palavras-chave:

Regulamentação, Ativismo, Drogas, Cultura canábica, Maconha medicinal

Resumo

Nos últimos anos, os consensos mundiais que, a partir do século XX, proibiram a planta conhecida como maconha de existir em grande parte do mundo, incluindo o Brasil, passaram a ser contestados com contundência crescente em face da eficácia comprovada da espécie in natura e de seus derivados em contextos terapêuticos diversos. Isso propiciou, no caso brasileiro, controvérsias e reposicionamentos, pessoais e institucionais. O objetivo do presente artigo é analisar processos de rediscussão dos significados da maconha e seus efeitos políticos e sociais no contexto brasileiro. Para a produção deste trabalho, a interlocução de 15 anos construída com pessoas comprometidas com a causa da “legalização da maconha no Brasil” será posta em análise em articulação com os achados de pesquisas recentes nas ciências sociais que se debruçaram sobre alguns aspectos do fenômeno da “maconha medicinal”, com especial atenção a empreendimentos regulatórios institucionais.

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Publicado

04-08-2025

Como Citar

VERÍSSIMO, Marcos. O Artesanato da Legalização: notas sobre os processos de reposicionamento da maconha no debate público contemporâneo. Equatorial – Revista do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, [S. l.], v. 12, n. 22, p. 1–32, 2025. DOI: 10.21680/2446-5674.2025v12n22ID37169. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/equatorial/article/view/37169. Acesso em: 11 jan. 2026.