A Escrita contra a cultura

Autores

  • Lila Abu-Lughod Universidade de Columbia na Cidade de Nova York/NY
  • Francisco Cleiton Vieira Silva do Rego Universidade Federal do Rio Grande do Norte http://orcid.org/0000-0002-8852-6212
  • Leandro Durazzo Universidade Federal do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.21680/2446-5674.2018v5n8ID15615

Palavras-chave:

Escrita, Cultura, Etnografia

Resumo

Neste artigo a antropóloga Lila Abu-Lughod discute e critica as proposições anunciadas pelo livro Writting Culture, editado por James Clifford e Marcus Fisher. A autora propõe que os antropólogos e as antropológas passem a escrever contra o conceito de cultura, enfatizando um tipo de etnografia do particular que seja capaz de fugir da cristalização das diferenças e das generalizações. O artigo também é uma reação a ausência de feministas e pesquisadores de multipla origem étnica e regional no conjunto de capítulos publicados por Clifford e Fisher que inauguraram por sua vez todo um movimento teórico na antropologia comumente conhecido como antropologia pós-moderna. O texto de Abu-Lughod, tão influenciador quanto o livro de Clifford e Fisher, marca um importante momento teórico e etnográfico para a disciplina, ao enfatizar e mostrar a posicionalidade do conhecimento para além da parcialidade enunciada pelos autores pós-modernos.

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Biografia do Autor

Lila Abu-Lughod, Universidade de Columbia na Cidade de Nova York/NY

Joseph L. Buttenwieser Professor of Social Science, Departamento de Antropologia da Universidade Columbia na cidade de Nova York/NY, Estados Unidos. Doutora em Antropologia pela Harvard University (1984), BA em Antropologia pela Carleton College (1974). 

 

"Meu trabalho, fortemente etnográfico e baseado principalmente no Egito, concentrou-se em três grandes questões: a relação entre formas culturais e poder; a política de conhecimento e representação; e a dinâmica do gênero e a questão dos direitos das mulheres no Oriente Médio. Meu primeiro livro, Velada Sentimentos, foi sobre a política de sentimento e expressão cultural em uma comunidade beduína no Egito que fez uma discussão sobre a complexidade da cultura. Meu segundo livro, Escrevendo Mundos Femininos, enquadrado como uma etnografia feminista, usou histórias individuais para fazer um argumento maior sobre “escrever contra a cultura” (escrevendo contra tipificações de estrutura social e forma cultural, atendendo a discussões internas, vidas individuais e complexas sociais). dinâmica) como meio de intervir em discursos vexatórios sobre uma região difamada, bem como desafiar as representações feministas transnacionais das mulheres nas sociedades árabes. Minha terceira etnografia, Dramas da Nação: A Política da Televisão no Egito, uma contribuição para a antropologia das nações e para a etnografia da mídia, explorou as tensões entre as desigualdades sociais que atormentam as nações e as formas culturais que aspiram a enfrentá-las. Em vários livros editados, assim como em meu ensino, tenho perseguido esses temas mais adiante para examinar questões de gênero e modernidade na teoria pós-colonial, na antropologia e na mídia global e na violência da memória nacional / cultural. Atualmente, como parte de um esforço para usar a antropologia para contribuir com maiores debates políticos, estou me concentrando nas críticas das reivindicações universalistas do liberalismo e nos dilemas éticos e políticos envolvidos na circulação internacional dos discursos dos direitos humanos em geral, e dos muçulmanos. direitos das mulheres em particular."

Francisco Cleiton Vieira Silva do Rego, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutorando em Antropologia Social e Bolsista CAPES

Mestre em Antropologia Social

Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Membro do Grupo de Pesquisa "Gênero, Corpo e Sexualidade", GCS/UFRN.

Membro Pós-Graduando da Associação Brasileira de Antropologia - ABA.

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Publicado

23-11-2018

Como Citar

ABU-LUGHOD, L.; REGO, F. C. V. S. do; DURAZZO, L. A Escrita contra a cultura. Equatorial – Revista do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, [S. l.], v. 5, n. 8, p. 193–226, 2018. DOI: 10.21680/2446-5674.2018v5n8ID15615. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/equatorial/article/view/15615. Acesso em: 14 ago. 2022.

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