TERAPIA MIOFUNCIONAL NA MIOPATIA CONGÊNITA: RELATO DE CASO

  • Kelly Vasconcelos Chaves Martins
  • Ângela Márcia Parente dos Santos

Resumo


As distrofias musculares congênitas (DMCs) sáo miopatias hereditárias geralmente, porém náo exclusivamente, de herança autossômica recessiva, que apresentam grande heterogeneidade genética e clínica. Sáo caracterizadas por hipotonia muscular congênita, atraso do desenvolvimento motor e fraqueza muscular de início precoce associada a padráo distrófico na biópsia muscular. O quadro clínico, de gravidade variável, pode também incluir anormalidades oculares e do sistema nervoso central. Objetivo: Relatar caso clínico de paciente residente na cidade Fortaleza-Ce com diagnóstico de DMC submetido à terapia miofuncional orofacial. Procedimentos: Paciente, 9 anos, sexo masculino, apresentou como principal queixa dificuldades durante a mastigaçáo de sólidos. O paciente nunca havia realizado fonoterapia e foi submetido a 22 sessões fonoaudiológicas, 2 vezes por semana durante 30 minutos com o objetivo de aprimorar a mastigaçáo. Para adequar tônus e mobilidade de bochechas, foram propostos exercícios como: movimentos de soltura (shaking); garrote grande nos molares e nos incisivos centrais com movimentos mastigatórios e lateralizaçáo de espátula intraoral nas bochechas, solicitando resistência do paciente. Para adequar tônus e mobilidade dos lábios: protrusáo e retraçáo de lábios (i/u); estalar lábios; soltar beijo e linha amarrada a um botáo posicionado entre incisivos centrais e vestíbulo com a terapeuta puxando-o para fora da cavidade oral. Para adequar tônus e mobilidade de língua: estalar língua e língua fixada no palato com abertura e fechamento de boca. Resultados: Ao fim das sessões, foi observado melhora na mobilidade e reduçáo da flacidez das bochechas, com os exercícios sendo realizados progressivamente de modo adequado. Embora o lábio superior tenha apresentado uma sutil reduçáo da flacidez, o objetivo de adequar o tônus náo foi alcançado satisfatoriamente. A língua reagiu bem aos estímulos terapêuticos, reduzindo a flacidez e ganhando mobilidade com a realizaçáo adequada dos exercícios gradativamente. Náo houve evoluçáo significativa da funçáo mastigatória devido à flacidez persistente da musculatura orofacial. Conclusáo: Apesar da melhora de algumas estruturas orofaciais, as sessões realizadas mostraram-se insuficientes para a evoluçáo da funçáo mastigatória. Devido o início tardio da reabilitaçáo, a continuidade do tratamento fonoaudiológico torna-se imprescindível a fim de alcançar resultados mais satisfatórios.
Palavras-Chave: Distrofias Musculares; Terapia Miofuncional; Transtornos Motores; Músculos Mastigatórios

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Publicado
15-09-2011
Como Citar
MARTINS, K. V. C.; DOS SANTOS, ÂNGELA M. P. TERAPIA MIOFUNCIONAL NA MIOPATIA CONGÊNITA: RELATO DE CASO. Revista Extensão & Sociedade, v. 2, n. 3, 15 set. 2011.