A DIMENSÃO LÚDICA
Desigualdades do direito a brincar em espaços públicos - Freguesia do Ó e Brasilândia (São Paulo)
DOI:
https://doi.org/10.21680/2448-296X.2026v11n1ID41149Palavras-chave:
dimensão lúdica urbana, redução das desigualdades, primeira infânciaResumo
A dimensão lúdica no meio urbano constitui elemento fundamental na qualificação dos espaços livres das cidades, ao transformar positivamente as experiências cotidianas e valorizar os espaços públicos como territórios privilegiados de práticas sociais e culturais. Quando incorporada a programas, políticas e planos urbanos, a dimensão lúdica urbana contribui para a promoção da diversidade de usos e encontros, além de enriquecer a configuração e o potencial inclusivo dos espaços coletivos. Com base em pesquisa de campo, uma análise estatística identificou características e desafios relacionados ao acesso a espaços urbanos lúdicos voltados à primeira infância (bebês e crianças de 0 a 6 anos), nos distritos da Brasilândia e Freguesia do Ó, zona norte do município de São Paulo. O estudo abrangeu áreas públicas como parques, praças, “Ruas de brincar” e entornos de instituições educacionais e culturais. Os dados apontam que a maioria entre os respondentes da pesquisa são mulheres, com idade entre 25 e 39 anos, pertencentes a grupos de baixa renda e com escolaridade básica. As crianças sob sua responsabilidade acessam majoritariamente espaços privados para o brincar, o que evidencia a insuficiência de espaços públicos e gratuitos voltados ao lazer infantil em áreas periféricas. Tais resultados reforçam a urgência de incorporar a dimensão lúdica de forma transversal ao planejamento urbano, com foco na equidade territorial e no pleno desenvolvimento na primeira infância.
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