Relação da remuneração executiva com os gastos em pesquisa e desenvolvimento: uma análise das empresas de média e alta tecnologia listadas na bolsa de valores brasileira
DOI:
https://doi.org/10.21680/2176-9036.2026v18n2ID38952Palavras-chave:
Remuneração Executiva, Pesquisa e Desenvolvimento, B3 e InovaçãoResumo
Objetivo: Analisar a relação entre a remuneração executiva (fixa e variável) e os gastos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) — utilizados como proxy de esforço de inovação — em empresas listadas na bolsa de valores brasileira. O estudo verifica como a estrutura de incentivos mitiga a aversão ao risco gerencial em setores nos quais a inovação é estratégica. A pesquisa norteia a relação entre a remuneração dos executivos e a intensidade dos investimentos em P&D nas empresas brasileiras de média-alta e alta tecnologia.
Metodologia: A pesquisa utiliza uma abordagem quantitativa, descritiva e documental, analisando dados de 53 empresas brasileiras de capital aberto entre 2010 e 2022. O foco recai sobre empresas de níveis médio-alto e alto de desenvolvimento tecnológico, conforme a classificação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), adaptada pela Pesquisa Industrial de Inovação (PINTEC/IBGE). Os dados foram analisados por meio de regressão linear com dados em painel, controlando variáveis como tamanho, endividamento, rentabilidade e Covid-19.
Resultados: Os resultados demonstram que a estrutura de remuneração influencia a disposição dos gestores em alocar recursos para inovação. Os achados indicam que, embora exista uma correlação positiva entre incentivos de remuneração executiva variáveis e P&D, essa relação é moderada pela aversão ao risco e pelas características setoriais. Isso sugere que a remuneração variável atua como um mecanismo parcial para mitigar o conflito de agência, mas sua eficácia depende do equilíbrio com metas de curto prazo.
Contribuições do Estudo: A pesquisa contribui para a literatura ao demonstrar como a Teoria da Agência opera em um mercado emergente, no qual fatores como instabilidade institucional influenciam as escolhas contábeis dos gestores. O estudo evidencia que, para empresas de alta tecnologia no Brasil, o alinhamento de interesses via remuneração executiva é decisivo para sustentar projetos de longo prazo em detrimento de resultados imediatistas.
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