Turiaçu: Saberes e Viveres Afro-Indígenas na Amazônia Maranhense

Turiaçu: Afro-Indigenous Knowledge and Lives in the Maranhão Amazon

Autores

  • Lorena Veras Mendes UFPB

DOI:

https://doi.org/10.21680/2446-5674.2026v13n25ID41506

Palavras-chave:

Viveres, Amazônia, Turiaçu, Maranhão, Afro-indígenas

Resumo

Este conjunto de imagens foi captado durante um trabalho de campo, realizado entre 2019-2022, para a dissertação de mestrado, em uma comunidade quilombola, localizada em Pedro do Rosário, na Baixada Ocidental Maranhense, Embiral Cabeça-Branca. A comunidade, formada por povos que se reconhecem enquanto duas nações, quilombola e indígena, é composta por descendentes do antigo Quilombo São Benedito do Céu, formado por quilombolas que iniciaram uma insurreição em Viana – 1867 (Mundinha Araújo, 2014), e está vinculada ao antigo aldeamento indígena Cabeça-Branca, habitado por Gamelas e Ka’apor (Varga, 2019).

Nesse contexto, quilombolas e indígenas estabeleceram alianças políticas e matrimoniais, dando origem à comunidade quilombola Embiral Cabeça-Branca. A pesquisa se objetivava investigar as retomadas territoriais por meio da educação quilombola específica, chamada de educação territoriada, com o Tambor de Mina – uma religião afro-maranhense – era tida como eixo central das retomadas de pessoas, corpo e território. Mas, nesse caso, “despretensiosamente”, as fotografias documentam cenas do dia a dia da comunidade, capturando momentos das práticas cotidianas que refletem suas atividades no território.

Entre as imagens, destacam-se registros de pescadores, canoeiros no rio Turiaçu, pajé, crianças, jovens durante a matança do porco para o preparo de alimentos comunitários, do processo de limpeza e tratamento dos peixes e das atividades diárias que garantem a subsistência da comunidade, fortalecendo as dadivas das dadivas (Mauss, 2017), como a casa de forno e farinhada – reunião de pessoas na produção de farinha de mandioca –, diante do que a terra no oferece (Bispo, 2023). A figura do pajé, líder espiritual da comunidade, demostra a relação entre conhecimentos territoriais, narrativas etno-históricas e memórias, especialmente entre as encanturias – no sotaque do pajé – que remetem aos encantados guardiões do território.

O registro dessas práticas dialoga com tempos diversos: uns eventos foram observados em 2019, outros em 2022, refletindo o tempo da comunidade, o olhar da pesquisa e a consistência sociocultural das práticas e modos de vida, mostrando como rituais, saberes e relações, nesse caso específico, se mantêm ao longo do tempo. As escolhas das imagens, no entanto, não se limitam a uma cronologia linear; elas buscam articular sentidos, relações e continuidades culturais que atravessam diferentes momentos. A metodologia utilizada combina observação participante, entrevistas e registro fotográfico, permitindo captar os eventos em si, e o contexto social em que essas práticas se inserem.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ARAUJO, Mundinha. Insurreição de Escravos em Viana – 1867. 3ª Edição – São Luis, 2014.

SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. Ubu editora/PISEGRAMA, 2023.

INGOLD, Tim. Da transmissão de representações à educação da atenção. Educação, Porto Alegre, v. 33, n. 1, p. 6-25, jan./abr. 2010. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/6775. Acesso em: 28 nov. 2025.

SILVA, Hugo Weslley Oliveira. Como pensar a fotografia engajada na pesquisa em Antropologia? Cartema, Recife, v. 12, n. 12, e258774, dez. 2023. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=9294846. Acesso em: 28 nov. 2025.

MAUSS, M. Sociologia e antropologia. Ubu editora, 2017.

VARGA, I. van Deursen. A Cabeça Branca da Hidra e seus pântanos: subsídios para novas pesquisas sobre comunidades indígenas, quilombolas e camponesas na Amazônia maranhense. Revista de História, 38(2), 1-22, 2019.

Downloads

Publicado

27-08-2026

Como Citar

VERAS MENDES, Lorena. Turiaçu: Saberes e Viveres Afro-Indígenas na Amazônia Maranhense: Turiaçu: Afro-Indigenous Knowledge and Lives in the Maranhão Amazon. Equatorial – Revista do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, [S. l.], v. 13, n. 25, p. 1–12, 2026. DOI: 10.21680/2446-5674.2026v13n25ID41506. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/equatorial/article/view/41506. Acesso em: 31 ago. 2026.