Duração e élan vital no evolucionismo espiritualista de Henri Bergson

Palavras-chave: Duração; Élan Vital; Evolução; Criação; Bergsonismo

Resumo

Para responder nossa questão principal, isto é, saber como se estabelece, no conjunto da obra de Bergson, a relação entre a sua filosofia da duração e a hipótese evolucionista do élan vital, tentaremos reconstituir a plataforma especulativa de onde parte A evolução criadora e o modo como Bergson faz da esfera da vida o ponto de intersecção entre as noções de duração e de evolução. Nosso objetivo será o de situar o contexto de emergência da imagem do élan vital para aí descobrir a especificidade do pensamento de Bergson, especificidade que dá unidade à sua filosofia e marca sua contribuição para a história da filosofia. Nesse sentido, acreditamos que a teoria do élan vital não pode ser separada dessa intuição fundadora do bergsonismo que é a duração, sem ser destituída do seu significado metafísico. Assim como a consciência, o universo inteiro dura. E essa duração se caracteriza essencialmente pela liberdade. Em todo lugar onde lidamos com a vida, encontramos sob formas diversas a duração imanente à vida. O evolucionismo bergsoniano traduzido pela imagem do élan vital pode então ser compreendido da seguinte forma: o princípio da vida transcende a vida.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BERGSON, Henri. Oeuvres (Édition du Centenaire). Paris: PUF, 1959.
BERGSON, Henri. Mélanges. Textes publiés et annotés par André Robinet. Paris: PUF, 1972.
BERGSON, Henri. Correspondances. Textes publiés et annotés par André Robinet. Paris: PUF, 2002.
BERGSON, Henri. L’évolution créatrice. Édition critique. Paris: PUF/Quadrige, 2007.
BERGSON, Henri. As duas fontes da moral e da religião. Trad. Natanael C. Caixeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
BERGSON, Henri. Ensaio sobre os dados imediatos da consciência. Tradução: João da Silva Gama. Lisboa: Edições 70, 1988.
BERGSON, Henri. Evolução criadora. Trad. Bento Prado Neto. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
BERGSON, Henri. Matéria e memória. Trad. Paulo Neves. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
BERGSON, Henri. O pensamento e o movente. Trad. Bento Prado Neto. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
BERGSON, Henri. A energia espiritual. Trad. Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
CAEYMAEX, Florence. Négativité et finitude de l’élan vital. La lecture de Bergson par Jankélévitch. In: WORMS, Frédéric et al. (org.) Annales Bergsoniennes IV. Paris: PUF, 2008, p. 634-640.
COIMBRA, Leonardo. A Filosofia de Henri Bergson. Lisboa: Imprensa Nacional, 1994.
FRANÇOIS, Arnaud (org.). L’Évolution créatrice de Bergson. Paris: Vrin, 2010.
HUSSON, Léon. L’intellectualisme de Bergson, genèse et développement de la notion bergsonienne d’intuition. Paris: PUF, 1947.
JANKÉLÉVICH, Vladimir. Henri Bergson. Paris: PUF, 1975.
LAPOUJADE, David. Puissances du temps. Versions de Bergson. Paris: Les Éditions de Minuit, 2010.
MIQUEL, Paul-Antoine. Bergson ou l’imagination métaphysique. Paris: Editions Kimé, 2007.
PHILONENKO, Alexis. Bergson ou de la philosophie comme science rigoureuse. Paris: Cerf, 1994.
PRADO Jr., Bento. Presença e campo transcendental: Consciência e Negatividade da Filosofia de Bergson. São Paulo: EDUSP, 1989.
RUSSEL, Bertrand. La méthode scientifique em philosophie. Tradução para o francês: Philippe Devaux. Paris: Payot, 2002.
WORMS, Frédéric. Bergson ou os dois sentidos da vida. Trad. Aristóteles Angheben Predebon. São Paulo: Editora Unifesp, 2010.
Publicado
04-10-2020
Como Citar
DA LUZ FERREIRA, R. Duração e élan vital no evolucionismo espiritualista de Henri Bergson. Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), v. 27, n. 54, p. 41-63, 4 out. 2020.