VER PARA CRER: A ARTE DE OLHAR E A FILOSOFIA DAS IMAGENS

Autores

  • Eduardo Pellejero Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Palavras-chave:

Imagens, Olhar, Pintura, Merleau-Ponty, Didi-Huberman, Rancière

Resumo

Retomada de forma dogmática, a tematização
platónica da pintura projeta sobre a produção e a contemplação
de imagens atributos de irrealidade, irracionalidade e
passividade, fazendo do olhar o oposto de conhecer e o oposto
de atuar, uma aceitação acrítica das aparências, coisa de
crianças. O presente artigo pretende problematizar essa tradição
iconoclasta, colocando em causa os seus pressupostos filosóficos
e explorando a potência das imagens da arte e do olhar crítico.
Dialogando com as obras de Merleau-Ponty, Berger, Damish,
Didi-Huberman, Manguel e Rancière, aspira a mostrar que os
olhares do pintor e do espectador estão longe de deixar-se
reduzir às simplificações platónicas, dando lugar a uma dialética
crítica e criativa que desconhece qualquer distinção entre
aparência e realidade, entre passividade e atividade, e, em
última instância, entre interpretar e transformar o mundo.

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Referências

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Publicado

14-07-2015

Como Citar

PELLEJERO, E. VER PARA CRER: A ARTE DE OLHAR E A FILOSOFIA DAS IMAGENS. Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), [S. l.], v. 20, n. 34, p. 303–324, 2015. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/principios/article/view/7547. Acesso em: 19 jul. 2024.