TESTES RÁPIDOS DE SÍFILIS NAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE

UMA ESTRATÉGIA DE RESPOSTA À EPIDEMIA BRASILEIRA

  • José Boullosa Alonso Neto
  • Pâmela Cristina Gaspar
  • Alisson Bigolin

Resumo

Em 2016, o Ministério da Saúde (MS) brasileiro declarou epidemia de sífilis no país. A
partir desta declaração, diversas ações em
saúde pública foram realizadas: a) revisão
dos protocolos clínicos; b) elaboração de
uma agenda estratégica; c) ampliação da
cobertura e oferta de testes rápidos (TR).
Este artigo tem como objetivo revisar as
ações que nortearam essa ampliação, a fim
de, possivelmente, auxiliar outros países no
aperfeiçoamento da testagem rápida na
atenção básica. Melhorias na distribuição
de TR, treinamento de pessoal técnico e
adesão à Avaliação Externa da Qualidade
para TR (AEQ-TR) são variáveis qualitativas
observadas no estudo. Os TR foram implementados no ano de 2012 como política
de saúde pública, com a descentralização
para todas as unidades básicas de saúde,
especialmente no atendimento pré-natal.
Em 2016, o MS publicou o Manual Técnico
para Diagnóstico da Sífilis, que padronizou
o uso dos TR treponêmicos em diferentes
fluxogramas de diagnóstico, alinhando-os
às diversas realidades de infraestrutura existentes no país. Um maior impacto de seu
uso foi possível quando se obteve o apoio
da Conselho Federal de Enfermagem, que
permitiu a realização dos testes rápidos por
profissionais de nível médio. Além disso, a
plataforma de capacitação à distância do MS
para realização de TR (Telelab) alterou sua
plataforma off-line para on-line, aumentando
em cinco vezes o número de profissionais
certificados. O incentivo para realização da AEQ-TR de forma regular desempenhou
papel fundamental ao triplicar o número de
participantes em 2017/2018, quando comparado com 2012, tendo naqueles anos 94%
de aprovação. Tais ações corroboraram para
aumentar a distribuição dos TR pelo MS em
oito vezes no ano de 2018 (10.353.900 testes), quando em comparação à distribuição
em 2012. A utilização dos TR requer atualizações sistemáticas e regulares de ações
conjuntas para melhor apoiar as políticas
para enfrentamento da sífilis. Nesse contexto, acesso nacional de TR garantido por
um sistema logístico eficiente, treinamento
técnico apropriado e avaliação de qualidade são fundamentais para amplo uso dos
TR na atenção básica

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Publicado
02-09-2019
Como Citar
Boullosa Alonso Neto, J., Cristina Gaspar, P., & Bigolin, A. (2019). TESTES RÁPIDOS DE SÍFILIS NAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE. Revista Brasileira De Inovação Tecnológica Em Saúde - ISSN:2236-1103, 7. https://doi.org/10.18816/r-bits.vi0.18680