APROPRIAÇÃO DAS CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA NO PARQUE SANTANA ARIANO SUASSUNA, EM RECIFE-PE
DOI:
https://doi.org/10.21680/2448-296X.2026v11n1ID40086Palavras-chave:
parques públicos; criança com deficiência; sociabilidade; inclusãoResumo
O brincar é essencial na vida das crianças, por oferecer situações imaginárias e, nesse processo, a exploração do mundo a sua volta. Neste contexto, os parques públicos desempenham um papel significativo no desenvolvimento físico e psicossocial das crianças, por serem locais de encontros, lazer ativo e sociabilidade. Desta forma, objetivou-se com este estudo verificar a prática da inclusão social de crianças com deficiência no Parque Santana Ariano Suassuna, localizado na Cidade do Recife, capital de Pernambuco. A pesquisa seguiu uma abordagem multimétodos, realizada através de procedimentos metodológicos como walkthrough, mapeamento comportamental e entrevistas semiestruturadas, aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Pernambuco. Os resultados obtidos indicaram que a apropriação do Parque Santana por crianças com deficiência é impactada por múltiplos fatores, incluindo barreiras físico-espaciais, limitações sensoriais e aspectos sociais. A observação direta revelou desafios que comprometem o brincar e a interação dessas crianças, como a necessidade de manutenção dos equipamentos e a ausência de sinalizações e adaptações que favoreçam a mobilidade e a segurança. Além disso, a infraestrutura inadequada restringe a exploração do espaço. Os dados também evidenciaram que, mesmo não enfrentando problemas de acessibilidade, os responsáveis relataram dificuldades relacionadas à segurança e socialização, evidenciando que a experiência urbana infantil também é fortemente condicionada pelas suas percepções, que acabam restringindo a autonomia das crianças. Assim, os resultados evidenciaram a necessidade de intervenções que promovam maior acessibilidade, adaptabilidade e inclusão, garantindo um ambiente equitativo e estimulante que transmita segurança aos responsáveis, assegurando a participação social das crianças com deficiência.
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