Promoção de mecanismos de fortalecimento da accountability vertical nos governos locais: o caso da saúde no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.21680/2176-9036.2026v18n2ID38998Palavras-chave:
Accountability Vertical, Municipios, Saúde Pública, Secretários de Saúde MunicipalResumo
Objetivo: Analisar a influência do perfil partidário e profissional dos agentes públicos na oferta de mecanismos de promoção da accountability vertical no sistema local de saúde no Brasil.
Metodologia: O estudo qualitativo desenvolvido em 2 etapas, sendo feita a aplicação de questionário organizado em blocos temáticos em 83 Secretarias Municipais de Saúde, com objetivo de caracterizar o perfil profissional e político partidário dos gestores e percepção dos respondentes acerca dos instrumentos de accountability vertical. A etapa 2 envolveu a análise documental dos portais oficiais dos 83 municípios correspondentes acerca da presença, acessibilidade e funcionamentos dos instrumentos de accountability vertical. Os dados foram analisados por meio de análise documental e estatística descritiva, organizados em planilhas eletrônicas, categorizados e comparados.
Resultados: Existe influência do perfil político e profissional dos gestores públicos de saúde sobre o aprimoramento dos mecanismos de accountability vertical nos governos locais. Nos achados do estudo os secretários que possuem filiação partidária obtiveram desempenho abaixo na oferta ou manutenção de instrumentos de accountability vertical se comparadas aos que não possuem ligação com agremiação partidária. Quando se trata de perfil profissional os resultados apontaram um o melhor desempenho por parte dos gestores da saúde que possuíam formação ligadas a saúde e grau de instrução em nível superior.
Contribuição do Estudo: Este estudo oferece evidência empírica inédita sobre como características individuais dos gestores municipais de saúde – notadamente a ausência de filiação partidária e a formação profissional na área da saúde – se associam positivamente à existência e ao funcionamento efetivo de mecanismos de accountability vertical. Ao articular dados autorreferidos com verificação documental em 83 municípios brasileiros, a pesquisa avança além da literatura normativa, demonstrando que a politização das nomeações compromete a disponibilidade formal desses instrumentos e capacidade real de promover transparência, responsividade e controle social. Esses achados reforçam a importância de desvincular critérios técnicos da lógica partidária nas nomeações para cargos estratégicos no SUS, contribuindo tanto para o debate teórico sobre governança subnacional quanto para a formulação de políticas que fortaleçam a democracia administrativa na saúde pública.
Downloads
Referências
Abrucio, F. L., & Loureiro, M. R. G. (2004). Finanças públicas, democracia e instrumentos de Accountability.
Bolognesi, B., Ribeiro, E., & Codato, A. (2022). Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros. Dados, 66, e20210164.
Brancaglion, M., Soares, J., & Bahia, L. (2022). Uma análise do perfil dos secretários de saúde: interfaces entre saúde e os processos político-eleitorais. Saúde em Debate, 46(134), 693-709.
Brandão, C. C. (2018). Análise da capacidade de governo em secretarias municipais de saúde do estado da Bahia. Recuperado em 30 dezembro, 2024, de https://www.scielo.br/j/sdeb/a/zkCLkKBGQvtFBmwwbhYYPqc/.
Brinkerhoff, D. W. (2004). Accountability and health systems: toward conceptual clarity and policy relevance. Health policy and planning, 19(6), 371-379.
Campos, A. M. (1990). Accountability: quando poderemos traduzi-la para o português? Revista de administração pública, 24(2), 30-a.
Colonnelli, E., Prem, M., & Teso, E. (2020). Patronage and selection in public sector organizations. American Economic Review, 110(10), 3071-3099.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. (1988). Brasília. Recuperado em 25 julho, 2024, de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm.
Gonçalves, A. D. O., Barbosa, E. D. S., Santos, S. C., & Lustosa, P. R. B. (2018). Vinculação Político-Partidária E Desempenho Financeiro De Estatais No Brasil. Revista Eletrônica de Estratégia & Negócios, 1(Edição Especial 1), 145-172.
Gonçalves, A. D. O., Bilhim, J. A. D. F., Rezende, R. B., & Gonçalves, R. D. S. (2021). Prestação de contas e controle social: como o processo funciona. Revista de Contabilidade e Organizações, 15, e166382.
Lei n. 8.142, de 28 de dezembro de 1990. (1990). Presidência da República. Recuperado em 30 dezembro, 2024, de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm.
Lima, V. G. de M., & Gonçalves, A. de O. (2024). Effects of environmental discontinuity on the performance of teaching hospitals in Brazil. GCG: Revista de Globalización, Competitividad y Gobernabilidad, 18(1), 20-32.
Lopez, F., & Silva, T. M. D. (2019). Filiações partidárias e nomeações para cargos da burocracia federal (1999-2018). Revista de Administração Pública, 53(4), 711-731.
Manin, B. (2012). Principes du gouvernement représentatif. Calmann-Lévy.
Matias-Pereira, J. (2010). A governança corporativa aplicada no setor público brasileiro. Administração Pública e Gestão Social, 2(1), 109-134.
Meneguello, R., & Amaral, O. E. D. (2022). Para onde foram os partidos na opinião pública? As percepções sobre os partidos políticos na redemocratização no Brasil. Estudos Avançados, 36, 75-75.
Mota, A. C. Y. H. A. (2007). Accountability no Brasil: os cidadãos e seus meios institucionais de controle dos representantes. Recuperado em 25 novembro, 2024, de https://www.teses.usp.br/index.php?option=com_jumi&fileid=17&Itemid=160&id=97A11FB34AC9&lang=pt-br.
Mulgan, R. (2000). ‘Accountability’: an ever‐expanding concept?. Public administration, 78(3), 555-573.
Niyama, J. K., & Silva, C. A. T. (2021). Teoria da Contabilidade. 4 eds. Ed. Atlas, São Paulo.
O’Donnell, G. (1991). Democracia delegativa. Novos estudos, 31(92), 25-40.
Papi, L. P., Santos, G. T. D., & Seidi, M. (2024). Conexões entre capacidades burocráticas e burocracias de médio escalão: Uma pesquisa de escopo. Cadernos Gestão Pública e Cidadania, 29, e88807.
Philp, M. (2009). Delimiting democratic Accountability. Political studies, 57(1), 28-53.
Pinho, J. A. G. D., & Sacramento, A. R. S. (2009). Accountability: já podemos traduzi-la para o português? Revista de administração pública, 43, 1343-1368. Recuperado em 10 dezembro, 2024, de https://periodicos.fgv.br/rap/article/view/6898.
Przeworski, A. (1998). Sobre o desenho do Estado: uma perspectiva agente x principal. In Reforma do Estado e administração pública gerencial. Fundação Getúlio Vargas Editora.
Schedler, A., Diamond, L. J., & Plattner, M. F. (Eds.). (1999). The self-restraining state: power and Accountability in new democracies. Lynne Rienner Publishers.
Schmitt, R. (2000). Partidos políticos no Brasil, 1945-2000. Zahar.
Shukri, N. F. M., & Ramli, A. (2015). Organizational structure and performances of responsible Malaysian healthcare providers: A balanced scorecard perspective. Procedia Economics and Finance, 28, 202-212.
Sinclair, A. (1995). The chameleon of Accountability: Forms and discourses. Accounting, organizations and Society, 20(2-3), 219-237.
Splichal, S. (1999). Public Opinion: Developments and Controversies in the Twentieth Century. Rowman & Littlefield Publishers, Inc.
Teixeira, C. F. D. S. (2010). Enfoques teóricos-metodológicos do planejamento em saúde.
Tourangeau, R., & Yan, T. (2007). Sensitive questions in surveys. Psychological Bulletin, 133(5), 859–883. Recuperado em 18 agosto, 2024, de https://doi.org/10.1037/0033-2909.133.5.859
Tribunal Superior Eleitoral (2024). Partidos políticos registrados no TSE. Recuperado em 18 agosto, 2024, de https://www.tse.jus.br/partidos/federacoes-registradas-no-tse/federacoes-partidarias-registradas-no-tse.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 REVISTA AMBIENTE CONTÁBIL - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - ISSN 2176-9036

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Comomns Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Os autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
A Revista Ambiente Contábil utiliza uma licença Creative Commons CC-BY-NC-ND (Atribuição-NãoComercial – SemDerivações 4.0). Isso significa que os artigos podem ser compartilhados e que a Revista Ambiente Contábil não pode revogar estes direitos desde que se respeitem os termos da licença:
Atribuição: Deve-se dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas.
Não Comercial: Não se pode usar o material para fins comerciais.
Sem Derivações: Se for remixar, transformar ou criar a partir do material, não se pode distribuir o material modificado.

Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional
Português (Brasil)
English
Español (España)