Bordografias como gesto insubordinado:

interepistemicidade, saberes ancestrais e metodologias sensíveis a partir de mulheres anciãs

Autores

  • Maria Laura Medeiros Bleinroth Unesp
  • Rafael Siqueira Guimarães Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ)

DOI:

https://doi.org/10.21680/2446-5674.2026v13n24ID41360

Palavras-chave:

Envelhecimento, Etnografia, Metodologias, Mulheres idosas, Psicologia Social, Decolonial

Resumo

Este artigo propõe uma metodologia etnográfica sensível e inventiva, gestada no encontro com anciãs cujas manualidades mobilizaram memórias, afetos e caminhos de investigação. A partir dessas experiências, emerge a proposta das bordografias, em que o bordado se configura como dispositivo de produção de memória, escuta e resistência, por meio da composição de pontos corpográficos. O objetivo do artigo é articular Psicologia Social e Antropologia em perspectiva decolonial e feminista a fim de conectar saberes da experiência vivida e da sabedoria ancestral, tensionando os limites das epistemologias tradicionais. Habitar o próprio corpo e conhecer desde seus sentidos torna-se, aqui, um gesto insubordinado, que desafia os regimentos racionais e propõe outras formas de sentir, pensar e produzir conhecimento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rafael Siqueira Guimarães, Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ)

Artista moquequeiro, psicólogo, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), docente permanente do Programa de Pós Graduação em Educação/UFBA e Psicologia/Unesp Assis, líder do grupo de pesquisa GRIETA. Tem pesquisado-criado no campo das escritas e imagens documentais, narrativas autobiográficas, (des) educação estética e performance, com ênfase no debate sobre as diferenças, dissidências, saberes populares, culturas alimentares e autonomismos políticos.

Referências

ABENSHUNSHAN, Vivian. La escuela por venir: aquí, ahora. Revista de la Universidad de México, n. 897, 2023, p.6-11.

ABENSHUSHAN, Vivian. Notas sobre os doentes de velocidade. Chão da Feira, n. 105, 2020.

ALVES, Cândida. B.; DELMONDEZ, Polianne. Contribuições do pensamento decolonial à psicologia política. Rev. psicol. Polít., v.15, n.34, 2015, p. 647-661.

ANZALDÚA, Gloria. Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo. Tradução de Édna de Marco. Revisão de Claudia de Lima Costa; Simone Pereira Schmidt. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 8, n. 1, p. 229-236, 2000.

ANZALDÚA, Glória. A Vulva é uma Ferida Aberta e Outros Ensaios. Trad. Tatiana Nascimento. Rio de Janeiro: A Bolha, 2021a.

ANZALDÚA, Glória. Luz en lo oscuro. Tradução de HEKHT Editorial. Madrid: Traficantes de Sueños, 2021b.

ARIAS, Patrício Guerrero. Corazonar desde las sabidurías insurgentes el sentido de las epistemologías dominantes, para construir sentidos otros de la existencia. Sophia, Colección de Filosofía de la Educación, n. 8, 2010, pp. 101-146.

BLEINROTH, Maria Laura M. Bordadeiras de sabedorias: Mulheres idosas e suas pedagogias clandestinas. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal de Alagoas, 2021.

BLEINROTH, Maria Laura M.; OLIVEIRA, Érika Cecília S. Pesquisar “Dentro do Abraço”: Velhice, Feminismos e Políticas de Memória. Revista Polis e Psique, v.15, 2025.

BONA, Dénètem Touam. Cosmopoéticas do refúgio. Tradução de Milena P. Duchiade. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2020, 96 p.

COLLINS, Patrícia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidades. São Paulo: Boitempo, 2021.

CUSICANQUI, Silvia Riviera Un mundo ch’ixi es posible: Ensayos desde um presente en crisis. Buenos Aires: Tinta Limón, 2018.

DOLLIS, Nelly. Nokẽ mevi revõsho shovima awe: "o que é transformado pelas pontas das nossas mãos". Campos - Revista De Antropologia, v. 19, n. 1, 2018. p. 23-36.

DORNELLES, Dandara Rodrigues. PALAVRAS GERMINANTES: ENTREVISTA COM NEGO BISPO. Identidade, v. 26, n. 1 e 2, p. 14–26, 2021.

flores, Val. A intimidade do procedimento: Escrita, lesbiana, sul como práticas de si. Tradução coletiva do GRETA – Grupo de tradução lésbica. 1. ed. São Paulo: Greta Edições, 2022.

GROSFOGUEL, Ramón. A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Revista Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, 2016, p. 25-49.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afrolatinoamericano. Organização de Flávia Rios e Márcia Lima. São Paulo: Zahar, 2020.

GUIMARÃES, Mariana. A cozinha é uma biblioteca de filosofia: diálogos com Silvia Rivera Cusicanqui sobre práticas de descolonização e destecer, entre batatas, cenouras, sapos e gente. Arte território, v. 29 n. 46, 2023.

HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, v. 5, 1995, p. 7-41.

hooks, bell. Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática. São Paulo: Elefante, 2020.

hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. 2ªed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação. Cobogó Editora, 2019.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

LORDE, Audre. Os usos do erótico: O erótico como poder. Difusão Herética, 2019a.

LORDE, Audre. As ferramentas do senhor nunca derrubarão a Casa-Grande. Tradução de Tatiana Nascimento. In: LORDE, Audre. Irmã outsider: ensaios e discursos. Belo Horizonte: Autêntica, 2019b. p. 110–113.

LUGONES, María. Colonialidade e gênero. Cadernos Pagu, n. 26, p. 117–156, 2006

LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos feministas, v.22, n.3, 2014.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidad del ser, contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GOMEZ, Santiago; GOSFROGUEL, Ramón (Comp). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Universidad Javeriana-Instituto Pensar, Universidad Central-IESCO, Siglo del Hombre, 2007. p. 127-167.

NASCIMENTO, Letícia. Transfeminismo. São Paulo, Editora Jandaira, 2021.

POZZANA, Laura. A formação do cartógrafo é o mundo: corporificação e afetabilidade. Fractal, Rev. Psicol., v. 25 – n. 2, p. 323-338, 2013.

ROLNIK, Suely. esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. 2. ed. São Paulo: n-1 edições, 2018.

RUFINO, Luiz. Pedagogia da encruzilhada. Rio de Janeiro: Morula editorial, 2019.

SANTOS, Antônio Bispo. Colonização, Quilombos: modos e significados. Brasília: INCT, 2015.

SANTOS, Antonio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora; Piseagrama, 2023. 112 p.

SEGATO, Rita. Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. E-cadernos CES (Online), v. 18, 2012, p. 1-5.

SHARPE, Christina. Notas Ordinárias. São Paulo: Fósforo, 2024.

SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Encantamento: sobre política de vida. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2020.

SIMAS, Luiz Antônio. Pedrinhas miudinhas: Ensaios sobre ruas, aldeias e terreiros. Ed. Mórula, 2ª edição, 2019.

OLIVEIRA; Érika; BLEINROTH, Maria L. M. SILVA, Yasmin M. Desobediências epistêmicas e pesquisas monstruosas em psicologia social. In: CRUZ, L. R.; HILLESHEIM, B.; EICHHERR, L. M. Interrogações às políticas públicas: sobre travessias e tessituras do pesquisar. Florianópolis: ABRAPSO Editora, 2021. p. 13-32.

PÉREZ-BUSTOS, Tania. ¿Puede el bordado (des)tejer la etnografía? Disparidades, v. 74, n. 1, 2019.

POZZANA, Laura. A formação do cartógrafo é o mundo: corporificação e afetabilidade. Fractal, Rev. Psicol., v. 25 – n. 2, p. 323-338, 2013.

VALENTE, Thaysa Zubek. Nas grietas da educação: resistências e afirmação das diferenças no Instituto Federal do Paraná. Tese (Doutorado em Educação) - Programa de Pós Graduação em Educação (PPGE), Linha de Pesquisa Diversidade, Diferença e Desigualdade Social em Educação (DDDS), Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2024.

VASQUEZ, Patrícia P. Pedagogías feministas y sus encuentros afectantes: Com los pies en la tierra, las manos em la massa y la escuela patas arriba. Estudíos de gênero y feminismis, editora UNAM, 2022.

VALENCIA, Piedad; ROJAS, Yennifer Paola. La pedagogía crítica: sentires insumisos desde el devenir feminista. Revista Pensamiento, n. 26, p. 144-149, jul.-dez. 2021.

Downloads

Publicado

30-06-2026

Como Citar

MEDEIROS BLEINROTH, Maria Laura; SIQUEIRA GUIMARÃES, Rafael. Bordografias como gesto insubordinado:: interepistemicidade, saberes ancestrais e metodologias sensíveis a partir de mulheres anciãs. Equatorial – Revista do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, [S. l.], v. 13, n. 24, p. 1–21, 2026. DOI: 10.21680/2446-5674.2026v13n24ID41360. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/equatorial/article/view/41360. Acesso em: 3 jul. 2026.