A ginga da memória
Narrativas orais, ancestralidade negra e processos de salvaguarda na Capoeira
DOI:
https://doi.org/10.21680/2446-5674.2026v13n25ID42486Palavras-chave:
Capoeira, História Oral, Ancestralidade Negra, Patrimônio Imaterial, Pedagogia DecolonialResumo
Este artigo discute a capoeira como expressão de resistência, ancestralidade negra e movimento educador a partir das narrativas orais de mestres do município de Jacareí, interior de São Paulo. Ancorada na metodologia da História Oral (PORTELLI, 1997), a pesquisa buscou compreender como os mestres constroem sentidos sobre a prática da capoeira, sua ancestralidade e os processos de salvaguarda enquanto patrimônio cultural imaterial. O estudo evidencia que o reconhecimento da roda de capoeira e do ofício dos mestres pelo IPHAN, embora importante, não garante a sustentabilidade desses saberes diante das condições de vulnerabilidade social e simbólica enfrentadas por seus detentores. As entrevistas revelam ainda tensões entre religiosidades afro-brasileiras e o avanço do neopentecostalismo, que tem provocado adaptações em cantos, rituais e símbolos. Ao articular as perspectivas de Nilma Lino Gomes (2017) e Clóvis Moura (1981), propõe-se compreender a capoeira como movimento educador negro e tecnologia social de emancipação, contribuindo para a transmissão intergeracional de saberes, para a construção de pertencimentos e para a salvaguarda da memória afro-brasileira.
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