Alguns bichos Em alguma parte alguma (2010), de Ferreira Gullar
DOI:
https://doi.org/10.21680/1983-2435.2026v11n2ID40861Palavras-chave:
Poesia brasileira, Animalidade, Zoopoética, Ferreira GullarResumo
O acirramento da crise climática e as consequências atreladas a essas mudanças perceptíveis nos vários domínios do planeta têm convocado diferentes campos do saber para o desenvolvimento de reflexões críticas sobre certo modo de habitar a Terra. Em consonância com essa inflexão, algumas tendências contemporâneas dos estudos literários põem em relevo as intrincadas relações entre a criação imaginativa e o mundo vivo, entre as quais a Zoopoética (Derrida, 2001, 2002, 2014; Maciel, 2016, 2020, 2023; Simon, 2020). Neste artigo, mobilizando as ferramentas dessa vertente teórico-crítica, interpela-se a poesia de Ferreira Gullar, tendo como categoria de investigação a animalidade. O contato com a obra do autor permite a apreensão de diferentes espécies animais. Em razão da frequência com que os bichos comparecem nos poemas, lança-se um olhar sobre a última recolha de poemas de Gullar, Em alguma parte alguma (2010), com atenção às formas de vida representativas de uma animalidade em miniatura, principalmente artrópodes e outros pequenos espécimes da fauna que moram nas proximidades urbanas. Com esta investida de leitura, depreendem-se gestos poéticos que redimensionam a posição do ser humano frente ao restante do mundo vivo. Especificamente no livro de 2010, tal movimento de suspensão da ordem antropocêntrica é deflagrado pela justaposição de imagens cosmológicas e encontros encenados com viventes mais próximos do chão.
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