O imperativo do agradável e o ensino de Filosofia

alguns apontamentos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1983-2109.2024v31n66ID36090

Palavras-chave:

Ensino de Filosofia, Exercícios Filosóficos, Michel Foucault

Resumo

Esse ensaio procurará pensar o ensino de Filosofia na contemporaneidade, compreendendo como um espaço aberto para a forja de exercícios filosóficos, em diálogo com Michel Foucault, em desalinho com a instauração do imperativo da felicidade em nossa sociedade. Em primeiro lugar, experimentaremos apresentar algumas discussões contemporâneas sobre a lógica neoliberal e a construção daquilo que alguns autores diagnosticaram como a prevalência de um imperativo da felicidade, responsável por instigar o discurso que compreende a Filosofia em sua forma escolar como um saber desinteressante e inútil. Na sequência, a partir de certas discussões foucaultianas, rascunharemos alguns apontamentos sobre o caráter tensionador e desconfortante dos exercícios filosóficos, exercícios extemporâneos sempre a favor de um tempo porvir, pouco coadunados com as demandas práticas da atualidade e, por esse motivo, definida como algo perigoso para os poderes estabelecidos.

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Biografia do Autor

Christian Fernando Ribeiro Guimarães Vinci, UNICAMP

Professor do Departamento de Filosofia e História da Educação-DEFHE da Faculdade de Educação da UNICAMP.

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Publicado

24-12-2024

Como Citar

RIBEIRO GUIMARÃES VINCI, C. F. O imperativo do agradável e o ensino de Filosofia: alguns apontamentos. Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), [S. l.], v. 31, n. 66, 2024. DOI: 10.21680/1983-2109.2024v31n66ID36090. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/principios/article/view/36090. Acesso em: 6 jan. 2025.