Agressividade tributária e persistência dos fluxos de caixa: papel moderador do ciclo de vida organizacional
DOI:
https://doi.org/10.21680/2176-9036.2026v18n2ID40496Palavras-chave:
Agressividade tributária, persistência dos fluxos de caixa, ciclo de vida organizacionalResumo
Objetivo: Este estudo teve o objetivo de analisar o efeito dos estágios do ciclo de vida organizacional na relação entre agressividade tributária e persistência dos fluxos de caixa no contexto brasileiro.
Metodologia: Foi empregado um modelo de regressão linear múltipla estimado pelo método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) sobre uma amostra de 2.034 observações de empresas brasileiras não-financeiras listadas em bolsa. Para a análise do ciclo de vida organizacional, utilizou-se o modelo proposto por Dickinson (2011). Para a mensuração da agressividade tributária, utilizou-se as Book-Tax Differences (BTD) Total e Permanente.
Resultados: Os resultados sugerem que a agressividade tributária está positivamente relacionada com a persistência dos fluxos de caixa, sendo que o estágio do crescimento fortalece essa relação, enquanto os estágios de maturidade e declínio a enfraquecem. Esses resultados destacam que as estratégias tributárias permanentes são superiores às temporárias no que se refere à capacidade de retenção de caixa nas empresas.
Contribuições: O estudo contribui com a literatura ao destacar que estratégias temporárias e permanentes de redução de tributos apresentam resultados distintos em termos da capacidade de influenciar fluxos de caixa futuros. Enquanto pesquisas anteriores documentaram que diferenças temporárias prejudicam a persistência dos lucros, esta demonstrou que diferenças permanentes favorecem a persistência dos fluxos de caixa. Como implicação prática, a pesquisa é útil para investidores, analistas e demais usuários das informações contábeis, que podem utilizar apropriadamente as informações de agressividade tributária e ciclo de vida em seus modelos de avaliação de empresas.
Downloads
Referências
Almeida, J. E., & Kale, D. (2024). Firm life cycle and accrual quality. Advances in Accounting, 67, 100762. https://doi.org/10.1016/j.adiac.2024.100762
Ball, R., & Nikolaev, V. V. (2022). On earnings and cash flows as predictors of future cash flows. Journal of Accounting and Economics, 73(1), 101430. https://doi.org/10.1016/j.jacceco.2021.101430
Barth, M. E., Cram, D. P., & Nelson, K. K. (2001). Accruals and the prediction of future cash flows. The accounting review, 76(1), 27-58. https://doi.org/10.2308/accr.2001.76.1.27
Blaylock, B., Shevlin, T., & Wilson, R. J. (2012). Tax avoidance, large positive temporary book-tax differences, and earnings persistence. The Accounting Review, 87(1), 91-120. https://doi.org/10.2308/accr-10158
Brunozi Júnior, A. C. B., Kronbauer, C. A., Alves, T. W., & Martinez, A. L. (2019). Book-Tax-Differences anormais e persistência dos resultados contábeis e tributários em empresas de capital aberto listadas no Brasil. Revista Universo Contábil, 15(1), 07-26. https://doi.org/10.4270/ruc.2019101
Chen, S., Chen, X., Cheng, Q., & Shevlin, T. (2010). Are family firms more tax aggressive than non-family firms? Journal of Financial Economics, 95(1), 41–61. https://doi.org/10.1016/j.jfineco.2009.02.003
Dechow, P. M., & Dichev, I. D. (2002). The quality of accruals and earnings: The role of accrual estimation errors. The accounting review, 77(s-1), 35-59. https://doi.org/10.2308/accr.2002.77.s-1.35
Dechow, P. M., & Ge, W. (2006). The persistence of earnings and cash flows and the role of special items: implications form the accrual anomaly. Review of Accounting Studies, 11(2), 253-296. https://doi.org/10.1007/s11142-006-9004-1
Dechow, P., Ge, W., & Schrand, C. (2010). Understanding earnings quality: A review of the proxies, their determinants and their consequences. Journal of Accounting and Economics, 50(2-3), 344-401. https://doi.org/10.1016/j.jacceco.2010.09.001
Dickinson, V. (2011). Cash flow patterns as a proxy for firm life cycle. The Accounting Review, 86(6), 1969-1994. https://doi.org/10.2308/accr-10130
Downes, J. F., Kang, T., Kim, S., & Lee, C. (2019). Does the mandatory adoption of IFRS improve the association between accruals and cash flows? Evidence from accounting estimates. Accounting Horizons, 33(1), 39-59. https://doi.org/10.2308/acch-52262
Drake, K. D. (2012). Does firm life cycle explain the relation between book-tax differences and earnings persistence? Doctoral dissertation. Arizona State University.
Dunbar, A., Higgins, D. M., Phillips, J. D. & Plesko, G. A. (2010). What do measures of tax aggressiveness measure? National Tax Association Proceedings. 18-26
Faff, R., Kwok, W.C., Podolski, E.J., &Worg, G. (2016). Do corporate policies follow a life-cycle? Journal of Banking & Finance, 69, 96-107. https://doi.org/10.1016/j.jbankfin.2016.04.009
Ferreira, F. R., Martinez, A. L., Costa, F. M. da, & Passamani, R. R. (2012). Book-tax differences e gerenciamento de resultados no mercado de ações do Brasil. RAE, 52(5), 488–501. https://doi.org/10.1590/S0034-75902012000500002
Flavin, T., & O’Connor, T. (2017). Reputation building and the lifecycle model of dividends. Pacific-Basin Finance Journal, (46), 177-190. https://doi.org/10.1016/j.pacfin.2017.09.006
Fonseca, K. B. C., & Costa, P. S. (2017). Fatores determinantes das book-tax differences. Revista de Contabilidade e Organizações, 11(29), 17-29. https://doi.org/10.11606/rco.v11i29.122331
Furtado, L. L., Souza, J. A. S., & Sarlo Neto, A. (2016). Gerenciamento de resultados contábeis à luz das diferenças entre o lucro contábil e tributário (book-tax differences): uma análise de dados em painel balanceado. Revista Ambiente Contábil, 8(1), 115-132. https://doi.org/10.21680/2176-9036.2016v8n1ID6532
Hanlon, M. (2005). The persistence and pricing of earnings, accruals, and cash flows when firms have large book‐tax differences. The accounting review, 80(1), 137-166. https://doi.org/10.2308/accr.2005.80.1.137
Hanlon, M., & Heitzman, S. (2010). A review of tax research. Journal of Accounting and Economics, 50(2-3), 127-178. https://doi.org/10.1016/j.jacceco.2010.09.002
Lev, B., Li, S., & Sougiannis, T. (2010). The usefulness of accounting estimates for predicting cash flows and earnings. Review of Accounting Studies, 15(4), 779-807. https://doi.org/10.1007/s11142-009-9107-6
Martinez, A. L. (2017). Agressividade Tributária: um survey da literatura. Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade (REPeC), 11(0), 106–124. https://doi.org/10.17524/repec.v11i0.1724
Martinez, A. L., & Bassetti, M. (2016). Ciclo de vida das empresas, Book-Tax Differences e a Persistência nos Lucros. Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade (REPeC), 10(2), 148-162. https://doi.org/10.17524/repec.v10i2.1312
Martinez, A. L., & Duarte, E. A. V. (2020). Agressividade tributária e a informatividade dos lucros. Revista UNEMAT de Contabilidade, 9(17). https://doi.org/10.30681/ruc.v9i17.3302
Martinez, A. L., & Passamani, R. R. (2014). Book-tax differences e sua relevância informacional no mercado de capitais no Brasil. Revista de Gestão, Finanças e Contabilidade, 4(2), 20-37. https://doi.org/10.18028/rgfc.v4i2.615
Morais, H. C. B., & Macedo, M. A. D. S. (2021). Relação entre gerenciamento de resultado e abnormal book-tax differences no Brasil. Revista Contabilidade & Finanças, 32, 46-64. https://doi.org/10.1590/1808-057x202009230
Nakao, S. H. (2012). A adoção de IFRS e o legado da conformidade contábil-fiscal mandatória. Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo.
Santos, B. B. M., dos Santos, G. C., de Albuquerque Ribeiro, C. D. M., & Pinto, L. J. S. (2024). Agressividade tributária: uma revisão sistemática das pesquisas brasileiras. Revista de Administração, Contabilidade e Economia da Fundace, 15(3). https://doi.org/10.13059/racef.v15i3.1217
Scholes, M. S., Wilson, G. P., & Wolfson, M. A. (1990). Tax planning, regulatory capital planning, and financial reporting strategy for commercial banks. The Review of Financial Studies, 3(4), 625-650. https://doi.org/10.1093/rfs/3.4.625
Sloan, R. G. (1996). Do stock prices fully reflect information in accruals and cash flows about future earnings? The Accounting Review, 71(3), 289-315. https://www.jstor.org/stable/248290
Tang, T., & Firth, M. (2011). Can book-tax differences capture earnings management and tax Management? Empirical evidence from China. International Journal of Accounting, 46(2), 175–204. https://doi.org/10.1016/j.intacc.2011.04.005
Tang, T. Y. H. & Firth, M. (2012). Earnings persistence and stock market reactions to the different information in Book-Tax Differences: evidence from China. The International Journal of Accounting, 47, 369-397. https://doi.org/10.1016/j.intacc.2012.07.004
Wang, F., Xu, S., Sun, J., & Cullinan, C. P. (2020). Corporate Tax Avoidance: a Literature Review and Research Agenda. Journal of Economic Surveys, 34(4), 793–811. https://doi.org/10.1111/joes.12347
Zeca, K. G. (2021). O planejamento tributário e a função social da empresa e dos contratos: uma análise à luz da jurisprudência do CARF. Editora Dialética.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 REVISTA AMBIENTE CONTÁBIL - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - ISSN 2176-9036

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Comomns Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Os autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
A Revista Ambiente Contábil utiliza uma licença Creative Commons CC-BY-NC-ND (Atribuição-NãoComercial – SemDerivações 4.0). Isso significa que os artigos podem ser compartilhados e que a Revista Ambiente Contábil não pode revogar estes direitos desde que se respeitem os termos da licença:
Atribuição: Deve-se dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas.
Não Comercial: Não se pode usar o material para fins comerciais.
Sem Derivações: Se for remixar, transformar ou criar a partir do material, não se pode distribuir o material modificado.

Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional
Português (Brasil)
English
Español (España)