RODEADOS POR IKÚ

diálogos transatlânticos sobre mortalidade, doenças e curas entre africanos centro-ocidentais no escravismo do Rio de Janeiro, 1758-1888.

  • Philippe Manoel da Silva Moreira Universidade Federal Fluminense
Palavras-chave: Escravismo, Economia Crioula, Antropologia, Mortalidade, Rio de Janeiro

Resumo

Esse trabalho propõe discutir a mortalidade, doenças e curas pelo que denominaremos como História antropológica, tendo como palco as ações dos indivíduos escravizados da região da África Centro-Ocidental e a relação destes com o escravismo colonial no Rio de Janeiro em sua longa duração. Como base metodológica e teórica utilizaremos o conceito de economia crioula, ainda em construção, que pretende enfatizar o necessário diálogo epistêmico entre cultura e economia, por meio da Antropologia, e da História econômica com o objetivo de entender a complexidade do escravismo na espacialidade da cidade do Rio de Janeiro, utilizando o cruzamento de fontes diversas: Arquivo Histórico Ultramarino (Projeto Resgate), Biblioteca Municipal de Luanda, Banco de Dados do Tráfico Transatlântico de Escravos (Slave Trade Data-Base).

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Biografia do Autor

Philippe Manoel da Silva Moreira, Universidade Federal Fluminense
Doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense, mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2018), especialista em História do Brasil pela Universidade Católica de Petrópolis (2012) e graduado em História pela Universidade do Grande Rio (2010). Atua em estudos relacionados a História do Rio de Janeiro, dedicando-se especialmente aos seguintes temas: Economia, Etnicidades, Escravidão, História dos africanos no Rio de Janeiro e religiões de matriz-africana. Atualmente é bolsista Capes e pesquisador CNPq do grupo O Escravismo Atlântico: família, riqueza e cultura. Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K8700123P1. E-mail: prof.philippehistoria@yahoo.com.br 

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Publicado
29-03-2021
Como Citar
MOREIRA, P. M. DA S. RODEADOS POR IKÚ. Revista Espacialidades, v. 17, n. 1, p. 124-146, 29 mar. 2021.