Visões cinematográficas da ópera nos trópicos

  • Paulo Kühl UNICAMP
Palavras-chave: Ópera, Música, Cinema, Marcel Camus, Werner Herzog

Resumo

Na visão europeia sobre o Brasil às Américas, há uma constante oposição entre natureza, muitas vezes vista como hostil, e civilização. A partir da chegada da corte portuguesa no Rio de Janeiro, há duas tendências gerais na visão sobre as transformações no país: ou a necessidade de se “forçar” a civilização na nova sede do império luso, através de diversos projetos, ou a de uma busca de “aclimatação” da cultura europeia. Processos complementares, que às vezes se apresentam como opostos. A proposta do presente artigo é discutir, através dos filmes Orphée Noir de Marcel Camus e Fitzcarraldo de Werner Herzog, como visões consolidadas sobre transferências culturais em geral, e sobre a ópera em particular, operam na maneira como estudamos as artes no Brasil.

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Biografia do Autor

Paulo Kühl, UNICAMP

Graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1987), mestre em História pela Universidade Estadual de Campinas (1992), doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (1998), Pós-doutorado pela New York University (2008) e livre-docente pela UNICAMP (2012), onde ensina desde 1993. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em História da Arte e História da Ópera, atuando principalmente nos seguintes temas: poética e preceptivas, ópera, século XVIII, século XIX, história da arte.

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Filmes:

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FITZCARRALDO. Direção:Werner Herzog. Versatil Home Video. 1982.

ORFEU do Carnaval. Direção: Marcel Camus. Continental Home Video. 1959

Publicado
13-08-2017
Como Citar
KÜHL, P. Visões cinematográficas da ópera nos trópicos. ARJ – Art Research Journal / Revista de Pesquisa em Artes, v. 4, n. 1, p. 57-75, 13 ago. 2017.
Seção
Dossiê: Perspectivas Multidisciplinares no Campo da Arte