Conjurando num "Museu em Suspensão": fabulação crítica, tecnologia espectral e insurgência digital

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36025/arj.v13i1.42407

Palavras-chave:

videoarte generativa, inteligência artificial, curadoria online, pensamento decolonial, cosmotécnicas

Resumo

Este artigo analisa o vídeo Conjurados (2025), de Marlus Araújo, obra de videoarte generativa produzida a partir de processos com inteligência artificial, desenvolvido para Museu em Suspensão, projeto idealizado para o Museu da Inconfidência, sobre as potencialidades da IA para ações digitais de museus históricos. A obra encena uma fabulação poética sobre a implosão da monumentalidade colonial da instituição e os renascimentos simbólicos que emergem dessas ruínas. Longe de operar como mera animação digital do acervo, o vídeo mobiliza metáforas de colapso, recomposição e emergência para questionar o museu enquanto dispositivo de fixação da história. Articulando pensamento decolonial e crítica ao colonialismo digital, argumentamos que Conjurados emprega a inteligência artificial como tecnopoética especulativa, explorando a alucinação algorítmica como método estético capaz de desestabilizar arquivos. Assim, Conjurados opera como contra-arquivo reinscrevendo memórias, tensiona o imaginário colonial e conjura futuros decoloniais a partir do entrelaçamento entre arte, tecnologia e agência espectral.

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Biografia do Autor

Ana Avelar, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Ana Cândida Franceschini de Avelar Fernandes é professora adjunta do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Coordena o grupo de pesquisa Academia de Curadoria, cuja mostra Atualização do Sistema recebeu o prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) como melhor exposição da região Centro-Oeste em 2023. Seus projetos curatoriais de pesquisa, realizados em museus de diferentes regiões do Brasil, contam com apoio de agências públicas de fomento, como FAP-DF e CNPq, e exploram interseções entre práticas curatoriais online, offline e tecnodiversidades.

Tânia Sulzbacher, Pesquisadora independente

Tânia Inês Sulzbacher é doutora em Design e Tecnologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora independente. Atua na intersecção entre design, arte e tecnologias digitais, com experiência em ensino, pesquisa, projetos colaborativos e inovação. Como integrante do grupo de pesquisa Academia de Curadoria, dedica-se à pesquisas sobre curadoria digital, inteligência artificial e mediação tecnológica em contextos museais. Atualmente, desenvolve pesquisa de pós-doutorado no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), sob a supervisão de Ana Gonçalves Magalhães, investigando aplicações críticas de inteligência artificial em acervos de arte digitalizados, com ênfase em visualização de dados, patrimônio cultural, humanidades digitais e metodologias computacionais aplicadas à história da arte e à curadoria.

Carlos Gonçalves, Pesquisador independente

Carlos Eduardo Gonçalves é jornalista, curador e pesquisador independente, com formação em Jornalismo e pós-graduação em Crítica de Arte e Curadoria. Sua trajetória inclui atuação como pesquisador bolsista CNPq, desenvolvendo estudos em crítica de arte e crítica institucional, além de experiência como editor de cultura e secretário de redação no jornal da PUC-SP. Atuou como editor no blog Artsoul, colaborou na gestão da galeria ReOcupa, foi assessor executivo no Museu da Inconfidência e auxiliou em produções e projetos curatoriais.

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Publicado

12-07-2026

Como Citar

AVELAR, Ana; SULZBACHER, Tânia; GONÇALVES, Carlos. Conjurando num "Museu em Suspensão": fabulação crítica, tecnologia espectral e insurgência digital. ARJ – Art Research Journal: Revista de Pesquisa em Artes, Natal, v. 13, n. 1, 2026. DOI: 10.36025/arj.v13i1.42407. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/artresearchjournal/article/view/42407. Acesso em: 15 jul. 2026.