A Revista Granta, os “melhores escritores” e o debate sobre valor literário
DOI:
https://doi.org/10.21680/1983-2435.2026v11n2ID42410Palabras clave:
Valor literário, Literatura brasileira contemporânea, História da literaturaResumen
A partir da antologia “Os melhores jovens escritores brasileiros” da Revista Granta, propõe-se uma discussão sobre o valor literário e suas implicações na crítica e na teoria. O problema dos critérios objetivos para a definição do “bom gosto”, discutidos por Northrop Frye em Anatomia da crítica, permite-nos percorrer o percurso histórico dos debates sobre valor, desde a Arte poética de Aristóteles e o Tratado do sublime de Longino, até os estudos de Estética de Alexander Gottlieb Baumgarten em Reflections on poetry e de Immanuel Kant na Crítica da faculdade do juízo, culminando na ideia de literariedade do Formalismo russo do início do século XX. Em geral, tais estudos buscam uma definição universal do valor, que Harold Bloom ressalta em O cânone ocidental. No entanto, como aqui demonstramos, com base em “Cânone literário e valor estético” de Idelber Avelar e Orientalismo de Edward W. Said, sua natureza é histórica e ideológica. Discutem-se, então, as escolhas feitas pela Granta e como estas buscam definir os contornos do valor literário por um olhar subjetivo que se apresenta como objetivo. Conclui-se que a publicação preferiu escritores brancos oriundos das classes médias ou altas que cultivam uma literatura de temática urbana e confessional. Com isso, pouco contemplou a diversidade étnica e de representações sociais da literatura contemporânea brasileira ou as questões da histórica desigualdade social e econômica do país.
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