Impeachment, direto e política

lições a partir do caso Andrew Johnson

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1982-310X.2020v13n2ID23303

Palavras-chave:

Andrew Johnson, Impeachment, Direito

Resumo

O objetivo deste artigo é demonstrar que a exigência de tipificação das impeachable offenses está na raiz da distinção da forma de responsabilização política existente nos sistemas parlamentarista e presidencialista de governo, a partir da forma pela qual referidas ofensas foram compreendidas no caso Andrew Johnson. Em uma perspectiva comparada, e mediante pesquisa eminentemente bibliográfica, sustenta-se, aqui, que o impeachment é um instituto de natureza mista, combinando elementos políticos e jurídicos, segundo o modelo pioneiramente estabelecido pelo constitucionalismo estadunidense. Sendo assim, a tensão entre Direito e política, própria do instituto do impeachment, impede tentativas de destituição presidencial sem que haja demonstração da prática de alguma ofensa reprovada pela ordem constitucional, mormente no caso brasileiro em que a Constituição de 1988 exige que lei especial defina os crimes de responsabilidade e estabeleça suas regras de processo e julgamento, adota o princípio do nullum crimen sine lege e o Supremo Tribunal Federal, na linha da sua jurisprudência historicamente construída, compreende o instituto como possuindo, pelo menos em parte, natureza jurídico-penal.

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Biografia do Autor

Almir Megali Neto, Universidade Federal de Minas Gerais

Residente de Estágio Pós-Doutoral em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Doutor em Direito pela UFMG, com parte do período de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG 2021-2023). Mestre em Direito pela UFMG, com pesquisa financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES 2018-2020). Professor do curso de Pós-Graduação em Finanças Públicas da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Participou do Programa Professor Residente IEAT/UFMG, atuando no ensino direto da disciplina Teoria da Constituição para as turmas de graduação da Faculdade de Direito da UFMG (2024). Participou do Programa Professor Residente IEAT/UFMG, atuando no ensino direto da disciplina Direito Constitucional II para as turmas de graduação da Faculdade de Direito da UFMG (2018-2019). Pesquisador vinculado ao Grupo de Pesquisa Constitucionalismo e Aprendizagem Social (CONAPRES-UFMG), ao Núcleo de Estudos Constitucionalismo e Aprendizagem Social (NECONS-UFMG), ao Grupo de Estudos Teoria Crítica e Constitucionalismo (UFMG) e ao Núcleo de Litigância Estratégica em Direitos Humanos (LIDE-UFMG). Assessor de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).

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Publicado

31-03-2021

Como Citar

MEGALI NETO, Almir. Impeachment, direto e política: lições a partir do caso Andrew Johnson . Revista Digital Constituição e Garantia de Direitos, [S. l.], v. 13, n. 2, p. 148–172, 2021. DOI: 10.21680/1982-310X.2020v13n2ID23303. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/constituicaoegarantiadedireitos/article/view/23303. Acesso em: 11 jul. 2026.

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