“O saber é e será produzido para ser vendido”

conhecimento na conjuração pós-moderna de Lyotard

Palavras-chave: Conhecimento. Mercadoria. Especulação. Neoliberalismo.

Resumo

Buscamos analisar o que está oculto na defesa edificada por Jean-François Lyotard para legitimar o saber como mercadoria a partir da década de 1970. Em A condição pós-moderna, escrito em 1979, esse autor naturaliza a dicotomia entre “saber narrativo” e “saber científico”. Na obra, Lyotard esforça-se para adaptar os saberes às perspectivas da sociedade capitalista devastada pela crise internacional do período, que o levou a autoproclamar o surgimento de um novo tempo: a pós-modernidade. Ao reificar as tecnologias e os novos processos gerenciais, Lyotard dedica o trabalho ao debate dos saberes e elabora um sistema que legitima a pena máxima a que condena o conhecimento: O autor defende que “O saber é e será produzido para ser vendido”. Conclui-se que em sua especulação, portanto, o autor esfacela o conhecimento em dois polos antagônicos a fim de justificar o jogo da realidade e o ocultar.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Clarice Zientarski, Universidade Federal do Ceará - UFC, Departamento de Fundamentos da Educação

Profa. Dra. Clarice Zientarski 

Universidade Federal do Ceará – UFC

Doutora em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM.

Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Política, Gestão Educacional e Formação de Professores – GEPGE / FACED / UFC / CNPQ.

ORCID: http://orcid.org/0000-0002-8453-5429.

E-mail: claricezientarski@yahoo.com.br

Hildemar Luiz Rech , Universidade Federal do Ceará - UFC, Departamento de Fundamentos da Educação

Doutor em Ciências Sociais pelo IFCH da UNICAMP, Campinas, SP, com estágio doutoral na Universidade de Manchester, Inglaterra. Professor Titular da Universidade Federal do Ceará – UFC. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Política, Gestão Educacional e Formação de Professores – GEPGE / FACED/UFC/CNPQ.

Referências

ANTUNES, Ricardo. O continente do labor. São Paulo, SP: Boitempo, 2011.

KOSIK, Karel. Dialética do concreto. Tradução de Célia Neves e Alderico Toríbio. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.

LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. Tradução de Ricardo Corrêa Barbosa. 17. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2018.

MARKUS, Gyorgy. Marxismo e antropologia: o conceito de “essência humana” na filosofia de Marx. São Paulo: Expressão Popular, 2015.

MARTINS, Lígia Márcia. O desenvolvimento do psiquismo e a educação escolar: contribuições à luz da psicologia histórico-cultural e da pedagogia histórico-crítica. Campinas, SP: Autores Associados, 2013.

MARX, Karl. Crítica do Programa de Gotha. Tradução de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2012.

MARX, Karl. Crítica da filosofia do direito de Hegel. Tradução de Rubens Enderle e Leonardo de Deus. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2010

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A sagrada família ou A crítica da Crítica crítica conta Bruno Bauer e seus consortes. Tradução de Marcelo Backes. São Paulo: Boitempo Editorial, 2011.

MONTORO, Xabier Arrizabalo. Capitalismo y economía mundial. Madrid: Instituto Marxista de Economía – IME, 2016.

SAVIANI, Dermeval. Educação e questões da atualidade. São Paulo: Livros do Tatu: Cortez, 1991. (Coleção hoje e amanhã).

SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 11 ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2013.

STREEK, Wolfgang. Tempo comprado: a crise adiada do capitalismo democrático. Tradução Marian Toldy, Teresa Toldy. São Paulo: Boitempo, 2018.

VIGOTSKI, Lev Semenovich. A construção do pensamento e da linguagem. Tradução de Paulo Bezerra. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. (Textos de psicologia).
Publicado
17-12-2020
Como Citar
Pena, A. dos A. P., Zientarski, C., & Rech , H. L. (2020). “O saber é e será produzido para ser vendido”. Revista Educação Em Questão, 58(58). https://doi.org/10.21680/1981-1802.2020v58n58ID21019
Seção
Artigos