Reflexões metaortográficas às margens do romance “A mais encantadora mulher” (1903), de Gonzaga Filho

  • Maria Hozanete Alves deLima UFRN
  • Felipe Morais de Melo IFRN

Resumo

No ano de 1903, José Basileu Neves Gonzaga Filho (02/12/1849 – 09/09/1931) publica o romance A mais encantadora mulher – um romance para senhoras. À época, a escrita das palavras era marcada por variações gráficas, de modo que poderíamos encontrar, por exemplo, no mesmo texto, os pares “charta/carta”, “mez/mes” e “asa/aza”. Ressentia-se o romancista de não haver um discurso comum para a grafia dos termos da língua. Assim, ao escrever seu romance, Gonzaga Filho elabora um pequeno léxicon para justificar a escrita de um conjunto de vocábulos. Este trabalho segue um percurso metodológico de natureza bibliográfica e documental, está orientado pelos pressupostos teóricos de estudos grafemáticos desenvolvidos por alguns historiadores da língua do mundo hispânico (SÁNCHEZ-PRIETO BORJA, 1998; PENSADO, 1998; FRAGO GRACIA, 2002; RAMÍREZ LUENGO, 2012) e objetiva refletir sobre algumas motivações elencadas por Gonzaga Filho (1903) para justificar suas soluções gráficas, sejam elas fonéticas, etimológicas, prosódicas ou de harmonia (neolatina). Encontramos em Gonzaga Filho uma postura metaortográfica que se insere no seio da história da ortografia da língua portuguesa e que revela o percurso que a escrita da língua portuguesa foi tomando, em sincronias passadas, rumo à sua estandardização

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Biografia do Autor

Maria Hozanete Alves deLima, UFRN

Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, Professora do Departamento de Letras da UFRN, Área: Teorias Linguísticas

Felipe Morais de Melo, IFRN

Felipe Morais de Melo, IFRN Professor
Professor Doutor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte. Áreas de interesse: Variação e Mudança, Teoria da Escrita e Grafemática.

Publicado
10-06-2021
Como Citar
ALVES DELIMA, M. H.; MORAIS DE MELO, F. Reflexões metaortográficas às margens do romance “A mais encantadora mulher” (1903), de Gonzaga Filho. Revista do GELNE, v. 23, n. 2, p. 29-46, 10 jun. 2021.
Seção
Artigos