O estágio docente como uma comunidade de prática crítica-experimental

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1981-1802.2021v59n60ID24237

Palavras-chave:

Estágio docente, Comunidades de Prática, Ensino. Aprendizagem

Resumo

Desenvolvo neste ensaio alguns argumentos que pretendem relacionar o estágio docente à concepção de comunidades de prática. Noção desenvolvida por Etienne Wenger, a comunidade de prática é pensada como um agrupamento de sujeitos que, engajados na aprendizagem do ofício pelo qual são apaixonados, reúnem-se voluntariamente para firmar, aperfeiçoar e manter esse compromisso. Tomando por base essa construção, argumento que alguns obstáculos históricos do estágio supervisionado de professores, em especial a desvinculação entre teoria e prática e o tímido diálogo entre universidade e escola, podem ser confrontados por intermédio do estabelecimento de uma comunidade de prática pedagógica. Contemplada por atores de diversas instituições, manteria sua unidade devido à paixão pelo ensinar, ao desejo de aprender e à aventura de experimentar didáticas no âmbito da diferença e da tradução pedagógica. Porém, para o êxito desse processo não teremos fórmulas prontas: os parâmetros de cada comunidade teriam que ser pautados localmente e artesanalmente.

Downloads

Biografia do Autor

Bruno Nunes Batista, Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas

Professor no Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas, Brasil. É membro do Grupo de Pesquisa “Formação continuada de Professores” da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Referências

ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003.

BENJAMIN, Walter. A tarefa do tradutor. In: BENJAMIN, Walter. Escritos sobre mito e linguagem (1915-1921). São Paulo: Duas Cidades/Editora 34, 2011.

CACETE, Núria Hanglei. Breve história do ensino superior brasileiro e da formação de professores para a escola secundária. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 40, n. 4, p. 1061-1076, out./dez. 2014.

COLOMBO, Irineu; BALLÃO, Carmem. Histórico e aplicação da legislação de estágio no Brasil. Educar em Revista, Curitiba, v. 53, n. 2, p. 171-186, jul./set. 2014.

CORAZZA, Sandra Mara. Didática-artista da tradução: transcriações. Mutatis Mutandis: Re-vista Latinoamericana de Traducción, Universidad de Antioquia, vol. 6, n. 1, p. 185-200, 2013.

CURY, Carlos Roberto Jamil. Estágio Supervisionado na formação docente. In: LISITA, Verbena Moreira; SOUZA, Luciana Freire (Orgs.). Políticas Educacionais, práticas escolares e alternativas de inclusão escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

DERRIDA, Jacques. Torres de Babel. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.

FOUCAULT, Michel. Nietzsche, a genealogia e a história. In: FOUCAULT, Michel. Ditos e Escritos II: Arqueologia das ciências e história dos sistemas de pensamento. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.

FRANÇA, Dimair de Souza. Formação de professores: a parceria escola-universidade e os estágios de ensino. UNIrevista, Campo Grande, v. 1, n. 2, p. 1-10, abr. 2006.

GALLO, Sílvio. Em torno de uma Educação Menor. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 27, n. 2, p.169-178, jul./dez. 2002.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

LARROSA, Jorge. O ensaio e a escrita acadêmica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 28, n. 2, p. 101-115, jul./dez. 2003.

LIMA, Maria Lucena. Reflexões sobre o estágio supervisionado na formação de professores. Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 8, n. 23, p. 195-205, jan./abr. 2008.

MARTINS, Rosa; TONINI, Ivaine. A importância do estágio supervisionado em Geografia na construção do saber/fazer docente. Geografia: Ensino & Pesquisa, Santa Maria, v. 20, n. 3, p. 98-106, set/dez. 2016.

MILANESI, Irton. Estágio supervisionado: concepções e práticas em ambientes escolares. Educar em Revista, Curitiba, v. 46, n. 4, p. 209-227, out./dez. 2012.

NÓVOA, António. Os professores e o “novo” espaço público da educação. In: TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude (Orgs.). O ofício de professor: histórias, perspectivas e desafios internacionais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e Docência. São Paulo: Cortez, 2004.

SUCUPIRA, Newton. Da faculdade de filosofia à faculdade de educação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. 51, n. 114, p. 250-270, abr./jun. 1969.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

VEIGA-NETO, Alfredo. Algumas raízes da Pedagogia moderna. In: ZORZO, Cacilda; SILVA, Lauraci; POLENZ, Tamara (Orgs.). Pedagogia em conexão. Canoas: Editora da ULBRA, 2004.

VEIGA-NETO, Alfredo. É preciso ir aos porões. Revista Brasileira de Educação, Campinas/SP, v. 17, n. 50, p. 267-282, mai./ago. 2012.

ZANTEN, Agnès van. A influência das normas de estabelecimento na socialização profissional dos professores: o caso dos professores dos colégios periféricos franceses. In: TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude (Orgs.). O ofício de professor: histórias, perspectivas e desafios internacionais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

WENGER, Etienne. Comunidades de Practica: aprendizaje, significado e identidad. Barcelona: Paidós, 2001.

Publicado

18-08-2021

Como Citar

Batista, B. N. (2021). O estágio docente como uma comunidade de prática crítica-experimental. Revista Educação Em Questão, 59(60). https://doi.org/10.21680/1981-1802.2021v59n60ID24237

Edição

Seção

Artigos