A medicalização na educação e a formação inicial do pedagogo

Palavras-chave: Medicalização, Conceitos científicos, Pedagogia, Brincar

Resumo

A medicalização reduz aspectos sociais, políticos, educacionais a doenças de origem biológica do sujeito que fracassa na escola, por isso é necessário abordar esse tema na formação inicial do professor. O objetivo dessa pesquisa foi desenvolver e analisar mediações pedagógicas no processo de aprendizagem do conceito científico medicalização na educação com estudantes de pedagogia. Para isso foi realizado um experimento formativo com turma de pedagogia presencial de uma universidade pública. As mediações pedagógicas se basearam na hierarquia conceitual sobre o referido conceito, por meio de reflexões críticas, do brincar, de prática de estágio, leituras e registros escritos. Observou-se que o experimento formativo possibilitou maior aprendizagem conceitual sobre medicalização na educação, seus determinantes e contribuiu com a identificação de possibilidades de enfrentamento ao fenômeno. Conclui-se que as práticas pedagógicas humanizadas em todos os níveis de ensino, juntamente com a mediação do brincar, podem ser estratégias de combate à medicalização.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Vânia Aparecida Calado, Universidade Potiguar

Integrante do GT 59 “Psicologia e Políticas Educacionais” da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia-ANPEPP. Faz parte do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Psicologia Histórico-Cultural (NEPHC/UFRN).

Herculano Ricardo Campos, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi/UFRN). Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Psicologia Histórico-Cultural (NEPHC/UFRN). Integrante do GT 59 “Psicologia e Políticas Educacionais” da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia-ANPEPP.

Cynara Teixeira Ribeiro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd/UFRN). Integrante do GT ANPEPP Psicanálise, Política e Clínica.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DÉFICIT DE ATENÇÃO. Diagnóstico-crianças. Rio de Janeiro, 7 dez. 2010. Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Disponível em: https://tdah.org.br/diagnostico-em-criancas/. Acesso em: 12 mai. 2014.

BIANCA. Diagnóstico da Disciplina Integradora de Curso 3. Natal (Rio Grande do Norte), 31 agosto, 2016a.

BIANCA. Atividade Avaliativa da Disciplina Integradora de Curso 3. Natal (Rio Grande do Norte), 09 dezembro, 2016b.

CORTELLA, Mario Sérgio. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. São Paulo: Cortez, 2008.

DAVYDOV, Vasily Vasilovich. Problemas do ensino desenvolvimental: A Experiência da Pesquisa Teórica e Experimental na Psicologia. Trad. LIBÂNEO, José Carlos; FREITAS, Raquel Aparecida Marra da Madeira. Uso didático na disciplina: Didática na perspectiva histórico-cultural, no PPGE da Universidade Católica de Goiás, c1986.

ELKONIN, Daniil Borisovich. Psicologia do Jogo. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

FIGUEIRA, Fernanda Freire; BOARINI, Maria Lucia. Psicologia e higiene mental no Brasil: la historia por contar. Universitas Psychologica, Bogotá, v. 13, n. 5, p. 1801-1814, dez. 2014. Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1657-92672014000500013&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 28 dez. 2018.

FÓRUNS EJA BRASIL. De Pé no Chão também de Aprende a Ler. c2006. Disponível em: http://forumeja.org.br/depenochao. Acesso em: 10 jul. 2016.

FÓRUM SOBRE MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DA SOCIEDADE. Recomendações de práticas não medicalizantes para profissionais e serviços de educação e saúde. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2015a.

FÓRUM SOBRE MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DA SOCIEDADE. Nota técnica: o consumo de psicofármacos no Brasil, dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de produtos controlados, ANVISA (2007-2014). Cidade: FMES, 2015b.

FRANCO, Maria Amélia Santoro. Práticas pedagógicas de ensinar-aprender: por entre resistências e resignações. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 41, n. 3, p. 601-614, jul./set. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022015000300601&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 15 jul. 2017.

GRAVATÁ, André; PIZA, Camila; SHIMAHARA, Eduardo. Volta ao mundo em 13 escolas. São Paulo: Fundação Telefônica, 2013. Disponível em: http://fundacaotelefonica.org.br/acervo/volta-ao-mundo-em-13-escolas/. Acesso em: 10 jul. 2016.

KOSIK, Karel. Dialética do Concreto. 2ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 1976.

LEONARDO, Nilza Sanches Tessaro; SUZUKI, Mariana Akemi. Medicalização dos problemas de comportamento na escola: perspectivas de professores. Revista de Psicologia Fractal, Rio de Janeiro, v. 28, n. 1, p. 46-54, jan./abr. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-02922016000100046&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 08 fev. 2018.

LEONTIEV, Alexis Nikolaevich. Os princípios psicológicos da brincadeira pré-escolar. In: VIGOTSKII, Lev Semenovich; LURIA, Alexander Romanovich; LEONTIEV, Alexis Nikolaevich. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 2006.

LIBÂNEO, José Carlos. A didática e a aprendizagem do pensar e do aprender: a teoria histórico-cultural da atividade e a contribuição de Vasili Davydov. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 27, p. 5-24, set./dez. 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782004000300002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 20 ago. 2016.

LUCKESI, Cipriano. Ludicidade e formação do educador. Revista Entre Ideias, v. 3, n. 2, p. 13-23, jul./dez. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/entreideias/article/view/9168. Acesso em: 05 set. 2017.

MEDICALIZAÇÃO da vida escolar. Direção: Maria Helena do Rego Monteiro de Abreu. Produção: Pedro Sol; Daniel Bona. Rio de Janeiro: s. n., 2006. 1 vídeo (16 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hj-FtJDTo3w. Acesso em: 05 ago. 2016.

NADAL, Beatriz Gomes. A escola e sua função social: uma compreensão à luz do projeto de modernidade. In: FELDMANN, Marina Graziela (Org.). Formação de Professores e Escola na Contemporaneidade. São Paulo: Editora Senac, 2009. p. 19-33.

NASCIMENTO, Ruben de Oliveira. Um estudo da mediação na teoria de Lev Vigotski e suas implicações para a educação. 2014, 416f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2014. Disponível em: <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/13673/1/EstudoMediacaoTeoria.pdf> Acesso em: 22 fev. 2017.

PAULO NETTO, José. Introdução ao estudo do método do Marx. São Paulo, SP: Ed. Expressão Popular, 2011.

PEREIRA, Jany Elizabeth. A importância do lúdico na formação de educadores: uma pesquisa na ação do Museu da Educação e do Brinquedo – MEB da Faculdade de Educação da USP. 2005, 248f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. Disponível em http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-14112007-144030/pt-br.php. Acesso em: 04 abr. 2019.

PEREZ, Elaine Cristina de Matos Fernandez. Medicalização e Educação: o entorpecimento da infância no cotidiano escolar. 2016, 233f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de Sorocaba, Sorocaba, 2016.

PRESTES, Zoia Ribeiro. Quando não é quase a mesma coisa. Análise das traduções de Lev Semionovitch Vigotski no Brasil. Repercussões no campo educacional. 2010, 295f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de Brasília, Brasília, 2010. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/9123. Acesso em: 01 jul. 2019.

RIGON, Algacir José, ASBAHR, Flávia da Silva Ferreira; MORETTI, Vanessa Dias. Sobre o processo de humanização. In: MOURA, Manoel Oriosvaldo de (Org.). A atividade pedagógica na teoria histórico-cultural. 2ª ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2016.

SANTOS, Daniella Fernanda Moreira; TULESKI, Silvana Calvo; FRANCO, Adriana de Fátima. TDAH e boa avaliação no IDEB: uma correlação possível? Psicologia Escolar e Educacional, Maringá, v. 20, n. 3, p. 515-522, set./dez. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572016000300515&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 09 dez. 2017.

SOUZA, Beatriz de Paula. Puxando o tapete da medicalização do ensino: uma outra educação é possível. Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente-SP, v. 25, n. 1, p. 299-316, jan./abr. 2014. Disponível em: http://revista.fct.unesp.br/index.php/Nuances/article/viewFile/2733/2533. Acesso em: 01 nov. 2015.

TARJA Branca. Direção: Cacau Rhoden. Produção: Juliana Borges. São Paulo: Maria Farinha Filmes, 2014. CD-ROM (120 min), son., color.

TELES, Denise Rodovalho Scussel. Características da mediação de aprendizagem e o brincar na Educação Infantil: indicadores para a formação de professores. 2004, 160f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de Uberaba, 2004. Disponível em: https://www.uniube.br/biblioteca/novo/base/teses/BU000051567.pdf. Acesso em: 14 abr. 2019.

VINHOTI, Cláudia Renata; SANTOS, Greice Cristiane dos. O brincar e a educação. Arquivos do Mudi, v. 11, n. Suplemento 2, p. 532-536, dez. 2007.

VYGOTSKI, Lev Semionovitch. Obras Escogidas. Tomo III. Madri: Visor, 2013.

Publicado
18-08-2021
Como Citar
Calado, V. A., Campos, H. R., & Ribeiro, C. T. (2021). A medicalização na educação e a formação inicial do pedagogo. Revista Educação Em Questão, 59(60). https://doi.org/10.21680/1981-1802.2021v59n60ID24692
Seção
Artigos