Educação em escritas de si

o diário de Helena Morley (1893-1895)

Palavras-chave: Escritas de si, Educação, Helena Morley, Século XIX

Resumo

Neste estudo, busca-se compreender aspectos da educação formal e informal em escritas de si. Com este propósito, utiliza-se o diário de Helena Morley, cuja primeira edição data de 1942, como fonte e objeto privilegiado de análise. Do ponto de vista metodológico, o estudo ancora-se, por um lado, nos pressupostos dos estudos sobre escritas de si, notadamente, na perspectiva indicada por Gusdorf (1991) e Lejeune (1996); por outro, estrutura-se segundo as chaves analíticas derivadas dos conceitos de forma escolar (VINCENT, LAHIRE e THIN, 2001) e de culturas escolares (Vinão Frago, 2001). O contexto em que a narrativa se desenvolve é a cidade de Diamantina, primeiramente denominada Arraial do Tejuco, que ganhara proeminência ao longo do processo de extração de diamantes em fins do século XIX. A par de dispositivos escolares e ordenamento moral, o texto autorreferencial de Helena revela nuances do país na transição do Império à República, assim como paradoxos da escravidão.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Márcia Cabral da Silva, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professora do Programa de Pós-graduação em Educação (PropEd/UERJ). É líder do Grupo de Pesquisa Infância, Juventude, Leitura, Escrita e Educação/CNPQ. Doutora em Teoria e História Literária (UNICAMP).

 

Referências

ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz. O tecelão dos tempos: novos ensaios de teoria da história. São Paulo: Intermeios, 2019.

ANJOS, Juarez José Tuchinski dos. Representações em disputa sobre a educação da criança pela família (Província do Paraná, 1853-1889). Educação e Pesquisa, são Paulo, v. 43, n.1, p.199-214, jan./mar. 2017.

BLOCH, Marc. Apologia da história, ou, o ofício do historiador. Tradução: André Teles Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

BOURDIEU, Pierre. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Tradução: Maria Ferreira. Campinas/São Paulo: Papirus, 1996.

CERTEAU, Michel de. As invenções do cotidiano: artes do fazer. Tradução: Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1994.

CHALOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

CUNHA, Maria Teresa. Diários pessoais: territórios abertos para a História. In: PINSKY, Carla Bassanezi & DE LUCA, Tania Regina. O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009, p.251-279.

DARNTON, Robert. O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa. Tradução: Sonia Coutinho, 2ª edição, Rio de Janeiro: Graal, 1986.

EL FAR, Alessandra. Páginas de sensação: literatura popular e pornográfica no Rio de Janeiro (1870-1924). São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

ELIAS, Norberto. A sociedade dos indivíduos. Tradução: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1994a.

ELIAS, Norberto. O processo civilizador. Tradução: Ruy Jungmann, 2ª edição, volume 1: uma história dos costumes. Rio de Janeiro, Zahar, 1994b.

MORLEY, Helena. Minha vida de menina. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

FARIA FILHO, Luciano Mendes de, GONÇALVES, Irlen Antônio; VIDAL, Diana Gonçalves e PAULILO, André Luiz. A cultura escolar como categoria de análise e como campo de investigação na história da educação brasileira. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.1, p. 139-159, jan./abr, 2004.

FERREIRA, Rita de Cássia Oliveira. A Escola Normal da Capital: Instalação e Organização (1906-1916). Dissertação (Mestrado em Educação), Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, 2010.

GONDRA, José Gonçalves e SCHUELER, Alessandra. Educação, poder e sociedade no Império brasileiro. São Paulo: Cortez, 2008.

GOMES, Angela Castro (org.). Escritas de si; escritas da história. Rio de Janeiro: FGV, 2004.

GOUVEA, Maria Cristina Soares de & ROSA, Walquíria de Miranda. História da Escola Normal em Minas Gerais (1835-1906). IN: PEIXOTO, Ana Maria & FARIA FILHO, Luciano Mendes (orgs). Lições de Minas, 70 anos de Secretaria de Educação. Secretaria do Estado de Minas Gerais, 2000, p. 19-31.

GUSDORF, George. Les écritures du moi. Paris: Odile Jacob, 1991. (Lignes de Vie, v.1)

LEJEUNE, Philippe. Le Pacte Autobiographique. Paris: Éditions du Seil, 1996.

LEVI, Giovanni. Prefácio. OLIVEIRA, Mônica Ribeiro de e ALMEIDA, Carla Maria Carvalho de. Exercícios de micro-história. Rio de Janeiro: FGV, 2009, p.11-16.

MINAS GERAIS, Instrução Pública. Lei n. 13, de 28 de março de 1835.

OZZORI, Manoel (org.). Almanack Administrativo, Mercantil, Industrial, Scientifico, Litterario do Municipio de Ouro Preto. Anno I. Ouro Preto: Typographia d‘A Ordem, rua da Barra, n.30, 1890.

PRADO JR., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo: colônia. São Paulo: Companhia das letras, 2011.

SILVA, Márcia Cabral da. Uma história da formação do leitor no Brasil. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2009.

VASCONCELOS, Maria Celi. A casa e seus mestres. Rio de Janeiro: Gryphos, 2005.

VIEIRA, Flávio César Feitas e OLIVEIRA, Michelle Mattar Pereira de. Instrução no Município de Diamantina: entre o brilho dos diamantes e a busca pelas luzes da educação. In: GONÇALVES NETO, Wenceslau e CARVALHO, Carlos Henrique (orgs.). O Município e a Educação no Brasil: Minas Gerais na Primeira República. Campinas, S.P: Alínea, 2012, p.233-249.

VILLELA, Heloisa de O. S. Punir ou vigiar? Formando professores “pacíficos, esclarecidos e humanos” na Escola Normal do século XIX. IN: LOPES, Sonia de Castro e CHAVES, Miriam Waidenfeld (orgs.). A história da educação em debate: estudos comparados, profissão docente, infância, família e igreja. Rio de Janeiro: Mauad X: FAPERJ, 2012.p. 101-119.

VIÑAO FRAGO, Antonio. Fracasan las reformas educativas? In: Sociedade Brasileira de História da Educação (org.). Educação no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2001, p. 21-52.

VINCENT, Guy, LAHIRE, Bernard e THIN, Daniel. Sobre a história e a teoria da forma escolar. Educação em Revista, Belo Horizonte, nº 33, p.7-47. Jun/2001

Publicado
18-08-2021
Como Citar
Cabral da Silva, M. (2021). Educação em escritas de si. Revista Educação Em Questão, 59(60). https://doi.org/10.21680/1981-1802.2021v59n60ID25114
Seção
Artigos