O seminário em livros didáticos do Ensino Médio

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1517-7874.2023v25n2ID33326

Resumo

Diversos estudos acadêmicos têm revelado a importância do domínio de práticas de oralidade e de gêneros orais para a atuação profissional e a vida em sociedade, como Scheneuwly; Dolz (2004) e Araújo; Silva (2013). Não obstante, esses autores, bem como Magalhães (2020), argumentam que a oralidade ainda ocupa um espaço tímido tanto na escola quanto na universidade; ou, quando presente nessas esferas, é possível notar a ausência de compreensão teórico-metodológica por parte da/do docente e, consequentemente, de orientações a/ao discente para atividades que envolvam tal modalidade linguística. O presente artigo tem como objetivo evidenciar as dimensões de gênero textual/discursivo contempladas em orientações didáticas para a produção de seminário em livros didáticos de Língua Portuguesa. Para tanto, à luz de estudos apresentados em Schneuwly; Dolz e colaboradores (2004), tecemos reflexões acerca da oralidade no ensino de Língua Portuguesa. Além disso, propomos a definição de seminário como um hipergênero, com base em Bonini (2011) e em Storto; Fonteque (2018). Nesse sentido, descrevemos e analisamos três propostas de produção de seminário em livros didáticos de Língua Portuguesa do Ensino Médio aprovados pelo PNLD 2018. Adotamos o modelo de análise de gêneros textuais/discursivos proposto por Magalhães e Silva (2021), que consiste na observação das seguintes dimensões: discursividade, textualidade, normatividade. A fim de adequarmos a análise ao hipergênero em foco, ampliamos o modelo, acrescentando as dimensões multimodalidade e recursos operacionais. Os resultados apontam que os materiais didáticos fornecem encaminhamentos coerentes e relevantes para a realização do seminário, considerando-se características desse hipergênero e os critérios apresentados pelo Programa Nacional do Livro Didático – PNLD. Isso revela avanços significativos em relação ao ensino de Língua Portuguesa. Por outro lado, observam-se orientações didáticas ainda permeadas por um desconhecimento relativo à compreensão da oralidade, reforçando, inclusive, mitos do senso comum, ao tratar os gêneros orais como não planejados, intuitivos, totalmente desvinculados da escrita e, consequentemente, das práticas de letramento.

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Biografia do Autor

Ana Virgínia Lima da Silva Rocha, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Professora Adjunta IV do Departamento de Letras e membro permanente do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Licenciada em Letras - Língua Portuguesa e suas Literaturas (2006) pela Universidade Federal de Campina Grande. Mestre (2009) e Doutora (2013) em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos (POSLIN), da Universidade Federal de Minas Gerais, com ênfase em Linguística do Texto e do Discurso. Atualmente, desenvolve e orienta pesquisas a nível de graduação e de pós-graduação com ênfase nos seguintes temas: gêneros textuais orais e escritos, oralidade, ensino de leitura, fake news, ambientes digitais, formação docente. Integra os seguintes grupos de pesquisa: Letramento e Etnografia (UFRN); Linguagem, Ensino e Tecnologias Educacionais - LEnTE (Instituto Metrópole Digital/UFRN).

Maria Clara Batista Monteiro, Universidade Federal da Paraíba

É mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Linguística (PROLING), da UFPB, e membro do grupo de pesquisa Ateliê de Textos Acadêmicos ATA/CNPq/UFPB. Possui graduação em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atualmente, desenvolve pesquisas na subárea da Linguística Aplicada, com interesse nos temas: formação docente, letramento acadêmico e ensino de Língua Portuguesa.

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Publicado

27-11-2023

Como Citar

LIMA DA SILVA ROCHA, A. V. .; BATISTA MONTEIRO, M. C. O seminário em livros didáticos do Ensino Médio. Revista do GELNE, [S. l.], v. 25, n. 2, p. e33326, 2023. DOI: 10.21680/1517-7874.2023v25n2ID33326. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/gelne/article/view/33326. Acesso em: 1 mar. 2024.

Edição

Seção

Artigos