Gerúndio e arquifonema nasal no pb: variação de /ndu/ para [nʊ] sob a ótica da geometria de traços

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1517-7874.2026v28n1ID41586

Resumo

Neste artigo, apresentamos uma proposta de análise da variação de gerúndio de /Ndu/para [nʊ]. Com esse intuito, recorremos a estudos disponíveis na literatura – a exemplo de Amaral (1920), Mollica e Mattos (1992), Mota (2002), Ferreira, Tenani e Gonçalves (2012) e Ferreira e Vieira (2023) –, de modo a discutir alguns aspectos interpretativos instáveis quanto à descrição do(s) processo(s) fonológico(s) envolvido(s) na variação percebida em pares como [ãˈmãdʊ] ~ [ãˈmãnʊ], [faˈzẽdʊ] ~ [faˈzẽnʊ] e [kaˈĩdʊ] ~ [kaˈĩnʊ]. Para tanto, calcamo-nos no aparato teórico da Geometria de Traços (Clements e Hume, 1995) e trazemos à discussão D’Angelis (1998, 2002), que reanalisa os agrupamentos consonantais do Português Brasileiro segundo descrição de Mattoso Camara Jr. (1953, 1970). A partir da perspectiva de D’Angelis sobre as nasais, norteamos uma interpretação a respeito da variação do gerúndio. Na intenção de tornar mais evidente a passagem de /Ndu/ para [nʊ], apresentamos uma nova configuração de escala de sonoridade, especialmente para acomodar, em processos, obstruintes nasais e orais em uma classe natural, sem desconsiderar a ocorrência das soantes nasais na língua. Na perspectiva de nossa análise, assumimos que a variante [nʊ] decorre do processo de nasalação da alveolar /d/, resultante de espraiamento progressivo de traço [nasal] do arquifonema /N/, e não do apagamento de /d/. Tal processo envolve segmentos que integram a classe natural das obstruintes. Além disso, estabelecemos que /N/ passa seu traço [nasal] tanto para a vogal temática do tema verbal quanto para a alveolar /d/, constituindo espraiamento efetivamente bidirecional (Miranda e Picanço, 2020).

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Biografia do Autor

Ronan Felipe Souza Mafra, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Doutorando em Linguística Teória e Descritiva no Programa de pós-graduação em Estudos da Linguagem (PPgEL/UFRN).

Carla Maria Cunha, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.

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Publicado

18-04-2026

Como Citar

MAFRA, Ronan Felipe Souza; CUNHA, Carla Maria. Gerúndio e arquifonema nasal no pb: variação de /ndu/ para [nʊ] sob a ótica da geometria de traços. Revista do GELNE, [S. l.], v. 28, n. 1, p. e41856, 2026. DOI: 10.21680/1517-7874.2026v28n1ID41586. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/gelne/article/view/41586. Acesso em: 27 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos