Estruturadas X Desestruturadas:

representações acerca de família em âmbito escolar

Palavras-chave: Configurações familiares. Proteção. Desestrutura familiar. Educação escolar.

Resumo

Em âmbito escolar, é comum ouvir comentários acerca de famílias “estruturadas” ou “desestruturadas”, surgindo a necessidade de entender essa realidade, buscamos averiguar o que docentes e gestoras escolares querem dizer quando utilizam essas terminologias. O referencial teórico baseia-se em pesquisas que abordam sobre os conceitos de estrutura e desestrutura familiar, além de estudos na área da educação sobre a mesma temática. A coleta de dados foi realizada em três municípios sul-mato-grossenses com um total de seis mulheres, sendo três docentes e três gestoras escolares. Os resultados evidenciam que família “estruturada” é vista como o modelo tradicional, composto por pai, mãe e filhos, enquanto que todas as outras configurações familiares são vistas como “desestruturadas”. Contudo, problematizamos que o que caracteriza a desestrutura familiar são atitudes e comportamentos, ou a não garantia de segurança e proteção a todos os membros, não havendo relação direta com as diferentes formas de arranjos familiares.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Josiane Peres Gonçalves, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Professora Adjunta da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Campus de Naviraí (UFMS/CPNV). Líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Desenvolvimento, Gênero e Educação (GEPDGE).

Referências

ARIÈS, Philip. História social da criança e da família. 2º ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1981.

CADETE, Vandernúbia Gomes; FERREIRA, Sandra Patrícia Ataíde; SILVA, Dayse Bivar da. Os sentidos e os significados produzidos pela escola em relação à família homoparental: um estudo de caso. Interação em Psicologia, Curitiba, v, 16, n. 1, p. 101-112, 2012.

CKOLUS, Fátima Aparecida Maglio; LIMA, Rita de Cássia Pereira. A família do educando com dificuldade de aprendizagem: um estudo de representações sociais. Olhar de Professor, Ponta Grossa, v. 10, n. 1, p. 195-208, 2007.

COSTA E SILVA, Ana Lúcia; DA CUNHA, Cláudia Araújo. Representações Sociais de Família para um grupo de Professoras. Psicologia, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 01-09, dez. 2005.

DAL’IGNA, Maria Cláudia. “Há diferença”?: Relações entre desempenho escolar e gênero. 2005. 167f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

DOCENTE 1. Entrevista. Ivinhema (Mato Grosso do Sul), 11 mar. 2019.

DOCENTE 2. Entrevista. Dourados (Mato Grosso do Sul), 14 mar. 2019.

DOCENTE 3. Entrevista. São Gabriel do Oeste (Mato Grosso do Sul), 22 mar. 2019.

FONSECA, Claudia. Caminhos da adoção. São Paulo, Cortez, 1995.

GESTORA 1. Entrevista. Ivinhema (Mato Grosso do Sul), 11 mar. 2019.

GESTORA 2. Entrevista. Dourados (Mato Grosso do Sul), 14 mar. 2019.

GESTORA 3. Entrevista. São Gabriel do Oeste (Mato Grosso do Sul), 22 mar. 2019.

GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa: esta é a questão? Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 22, n. 2, p. 201-210, maio/ago., 2006.

KALOUSTIAN, Silvio Manoug. Família brasileira: a base de tudo. São Paulo: Cortez, 1994.

LAZZARI, Márcia Cristina. Proteção social, vulnerabilidade e família. Verve, São Paulo, n. 26, p. 95-109, 2014.

MOREIRA, Lisandra Espíndula; TONELI, Maria Juracy Filgueiras. Paternidade, família e criminalidade: uma arqueologia entre o Direito e a Psicologia. Psicologia & Sociedade, Belo Horizonte, v. 26 (n. spe.), p. 36-46, 2014.

PEREZ, Marcia Cristina Argenti. Família e escola na contemporaneidade: fenômeno social. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, SP, v. 4, n. 3, p. 1-16, 2009.

ROSSO, Ademir José; SERPE, Bernadete Machado. Família, a protagonista no discurso de professores da educação básica sobre as dificuldades encontradas no trabalho pedagógico em sala de aula. In: IX Anped Sul - Seminário de pesquisa em educação da região Sul. Anais [...] Caxias do Sul: UCS, 2012.

SELEGHIM, Maycon Rogério; MARANGONI, Sônia Regina; MARCON, Sonia Silva; OLIVEIRA, Magda Lúcia Félix de. Vínculo familiar de usuários de crack atendidos em uma unidade de emergência psiquiátrica. Revista Latino-Americana de Enfermagem. São Paulo, v. 19, n. 5, p. 1-8, set./out, 2011.

SZYMANSKI, Heloisa. Teorias e “teorias” de famílias. In: CARVALHO, Maria do Carmo Brant. A família contemporânea em debate. 6. ed. São Paulo, SP: Educ/Cortez, 2005, p.21-27.

VENCATO, Anna Paula. Estereótipos acerca de modelos não tradicionais de família em um curso de formação docente. Áskesis, São Carlos, SP, v. 4, n. 1, p. 9-22, jan./jun., 2015.

VIANNA, Claudia; RAMIRES, Lula. A eloquência do silêncio: gênero e diversidade sexual nos conceitos de família veiculados por livros didáticos. Psicologia Política, São Paulo, v. 8, n. 16, p. 345-362, dez., 2008.

Publicado
29-11-2019
Como Citar
Peres Gonçalves, J., & Eggert, E. (2019). Estruturadas X Desestruturadas: . Revista Educação Em Questão, 57(54). https://doi.org/10.21680/1981-1802.2019v57n54ID18034
Seção
Artigos