Gênero na docência em Física

a pedagogia da pedra contra o labirinto de cristal

Palavras-chave: Docência em Física. Gênero. Experiência. Discurso.

Resumo

Neste artigo discutimos, a partir de narrativas de professoras e professores do ensino médio, como o gênero atua na experiência da docência em Física. Através da interrogação de acontecimentos recentes e antigos, questionamos as lógicas que têm sustentado o discurso de que a Física é uma ciência de/para (alguns)homens e indicamos a emergência de práticas de contestação dessa hegemonia. Concebemos experiência como ação simbólica de produção de sentidos sobre a realidade e lugar de constituição de subjetividades. Partimos da perspectiva que as proposições sobre gênero são atravessadas por relações de poder e se constituem em contextos políticos. Concluímos apontando que os rastros homogeneizadores dos cânones científicos que reduzem potências de vida não conseguem suprimir suas existências e que o reconhecimento da ciência como local povoado por corpos vivos e expressivos é a principal alternativa para o enfrentamento dos intricados labirintos que continuam a ser posicionados no caminho das novas gerações.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Anna Luiza Araújo Ramos Martins de Oliveira, Universidade Federal de Pernambuco

Professora Associada da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Docente do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da UFPE. Possui doutorado em Educação (2009), Mestrado e Graduação em Psicologia (2001 e 1997) pela UFPE. Tem experiência de ensino, pesquisa e extensão na área de Educação, com ênfase nos estudos sobre Teorias pós-estruturalistas, gênero, sexualidade e currículo. Atuou como coordenadora do Programa de Pós-graduação em Educação Contemporânea (PPGEduC/UFPE) entre os anos de 2014/2015. É líder do grupo de pesquisa do CNPq Discurso, subjetividade e educação e membro da Rede Latino-americana de Teoria do Discurso e da Associação Brasileira de Currículo (ABdC).

Ribbyson José de Farias Silva, Universidade Federal Rural de Pernambuco

Graduado em Física - Licenciatura (UFPE). Mestre em Educação Contemporânea (UFPE). Doutorando do Programa de Pós-graduação em Ensino das Ciências da UFRPE. Membro do Grupo de Pesquisa “Discurso, subjetividade e educação”

Referências

AGRELLO, Deise Amaro; GARG, Reva. Mulheres na Física: poder e preconceito nos países em desenvolvimento. Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v. 31, n. 1, p. 1305.1-1305.6, abril, 2009.
ALICE. Entrevista. Camocim de São Félix (Pernambuco), 9 janeiro, 2017.
AMERICAN PHYSICAL SOCIETY. LGBT Climate in Physics: Building an Inclusive Community. College Park: American Physical Society, 2016.
AQUINO, Julio Groppa; CORAZZA; Sandra Mara; ADÓ, Máximo Daniel. Por alguma poética na docência: a didática como criação. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 34, p. 01-18, 2018.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1987.
BENJAMIN, Walter. A Tarefa do Tradutor. In: (Org) GAGNEBIN, Jeanne Escritos sobre Mito e Linguagem. São Paulo: Editora 34, 2013.
BENTO, Berenice. Na escola se aprende que a diferença faz diferença. Estudos Feministas, Florianópolis, n. 19, v. 2, p. 548-559, maio-agosto, 2011.
BHABHA, Homi. O local da Cultura. Belo Horizonte: UFMG, 2005.
BRAH, Avtar. Diferença, diversidade, diferenciação. Cadernos Pagu, Campinas, n. 26, p. 329-376, jan./jun., 2006.
BRASIL. Resumo técnico do Censo da Educação Básica 2017. Brasília: INEP/MEC, 2019.
BRASIL. Senso da educação Superior 2017: divulgação dos principais resultados. Brasília: INEP/MEC, 2018.
BURITY, Joanildo. Desconstrução, Hegemonia e Democracia: o pós-marxismo de Ernesto Laclau. In: OLIVEIRA, Marcos Aurélio Guedes de. (Org). Política e Contemporaneidade no Brasil. Recife, p.29 –74, 1997.
BURITY, Joanildo. A. Discurso, política e sujeito na teoria da hegemonia em Ernesto Laclau. In: MENDONÇA, Daniel.; RODRIGUES, Leo Peixoto (orgs.). Pós-estruturalismo e teoria do discurso: em torno de Ernesto Laclau. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
BUTLER, Judith. Marcos de guerra: las vidas lloradas. Barcelona: Paidós, 2010.
BUTLER, Judith. A vida psíquica do poder: teorias da sujeição. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.
BUTLER, Judith. Corpos em aliança e apolítica das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
CARTAXO, Sandra Maria. Gênero e Ciência: um estudo sobre as mulheres na Física. 2012. 126f. Dissertação. (Mestrado em Política Científica e Tecnológica) - Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, 2012.
CRISTINA. Entrevista. Gravatá (Pernambuco). 11 janeiro, 2017.
CORAZZA, Sandra Mara. A-traduzir o arquivo da docência em aula: sonho didático e poesia curricular. Educação em Revista, Belo Horizonte, v.35, p. 01-25, 2019.
COSTA, Hugo Heleno; LOPES, Alice Casimiro. A contextualização do conhecimento no ensino médio: tentativas de controle do outro. Educação & Sociedade, Campinas, v. 39, n. 143, p.301-320, abr./jun., 2018.
DASGUPTA, Nilanjana; STOUT, Jane. Girls and Women in Science, Technology, Engineering, and Mathematics: STEMing the Tide and Broadening Participation in STEM Careers. Policy Insights from the Behavioral and Brain Sciences, v. 1, n. 1, p. 21–29, out., 2014.
ELSEVIER. Gender in the Global Research Landscape. Elsevier Institute, 2017.
FAUSTO-STERLING, Anne. Myths of Gender: Biological Theories about Women and Men. New York, Basic Books, 1985.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2009. GOBARA; GARCIA, 2007.
GOBARA, Shirley Takeco; GARCIA, João Roberto Barbosa. As licenciaturas em física das universidades brasileiras: um diagnóstico da formação inicial de professores de física. Revista Brasileira de Ensino Física, São Paulo, v. 29, n. 4, p. 519-525, out./dez., 2007.
HOOKS, Bell. Eros, erotismo e o processo pedagógico. In: LOURO, Guacira. O corpo Educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.
HUYER, Sophia. Is the gender gap narrowing in Science and engineering? UNESCO report: towards 2030. Paris: UNESCO, 2015.
JORGE. Entrevista. Gravatá (Pernambuco). 24 janeiro, 2017.
JOSÉ. Entrevista. Bonito (Pernambuco). 4 janeiro, 2017.
JULIO; Josimeire; VAZ, Arnaldo. Representações de masculinidades latentes em aulas de Física do ensino médio; Revista Brasileira de Educação, v. 14, n. 42, p. 505-520, set./dez., 2009.
JUNQUEIRA, Rogério. A Pedagogia do armário: a normatividade em ação. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 7, n. 13, p. 481-498, jul./dez. 2013.
KUSSUDA, Sérgio Rykio. Um estudo sobre a evasão em um curso de Licenciatura em Física: discursos de ex-alunos e professores. 2017. 307f. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência). Faculdade de Ciências. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Bauru, 2017.
LACLAU, Ernesto; MOUFFE, Chantal. Hegemonia e estratégia socialista: por uma política democrática radical. São Paulo: Intermeios; Brasília: CNPq, 2015.
LIMA, Betina Stefanello. O labirinto de cristal: as trajetórias das cientistas na Física. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 3, p. 883-903, set./dez, 2013.
MAINGUENEAU, Dominique. Gênese dos discursos. São Paulo: Parábola, 2008.
MARIO. Entrevista. Bezerros (Pernambuco). 18 janeiro, 2017.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 1998.
MATOS, Maria da Conceição A Docência no Curso de Licenciatura em Física da UFPA: História e Gênero. 2010. 167f. Dissertação. (Mestrado em educação). Universidade Federal do Pará, Belém, 2010.
PISCITELLI, Adriana. Interseccionalidade, categorias de articulação e experiências de migrantes brasileiras. Sociedade e Cultura, v. 11, n. 2, p. 263-274, jul./dez., 2008.
PORTER, Anne Marie. Challenges Facing Women in Physics. APS March Meeting 2020. March, 2020. Disponível em: https://www.aip.org/sites/default/files/statistics/women/women_Challenge-in%20physics.pdf. Acesso em 02 de Agosto de 2020.
PORTER, Anne Marie; IVIE, Rachel. Women in Physics and Astronomy 2019. Report, College Park, p. 1-45, jan, 2019. Disponível em: https://files.eric.ed.gov/fulltext/ED594227.pdf Acesso em 02 de agosto de 2020.
RIBEIRO, Everton. Evasão e permanência num curso de licenciatura em Física: o ponto de vista dos licenciandos. 2015. 127f. Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de Pós-graduação em Educação. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2015.
SAITOVITCH, Elisa; LIMA, Betina; BARBOSA, Marcia. Mulheres na Física: uma análise quantitativa. In: SAITOVITCH, Elisa; FUNCHAL, Renata; BARBOSA, Márcia; PINHO, Suani; SANTANA, Ademir. Mulheres na Física: casos históricos, panorama e perspectivas. São Paulo: Livraria da Física, 2015.
SAITOVITCH, Elisa; FUNCHAL, Renata; BARBOSA, Márcia; PINHO, Suani; SANTANA, Ademir. Mulheres na Física: casos históricos, panorama e perspectivas. São Paulo: Livraria da Física, 2015.
SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? Bauru-SP, EDUSC, 2001.
SCOTT, Joan. Gender: a useful category of historical analyses. Gender and the politics of history. New York: Columbia University Press, 1989.
SEGATO, Rita. Las Estruturas Elementales de la Violencia: Contrato y Status en La Etiología de la Violencia. Brasília: Universidade de Brasília, 2003.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE FÍSICA. Questionário diversidade e inclusão 2018 – Relatório 2019. Osasco: Sociedade Brasileira de Física, 2019.
SUZANA. Entrevista. Altinho (Pernambuco). 26 janeiro, 2017.
VIANNA, Cláudia Pereira. O sexo e o gênero da docência. Cadernos Pagu, Campinas, n. 17/18, p. 81-103, 2002.
Publicado
16-10-2020
Como Citar
Oliveira, A. L. A. R. M. de, & José de Farias Silva, R. (2020). Gênero na docência em Física. Revista Educação Em Questão, 58(58). https://doi.org/10.21680/1981-1802.2020v58n58ID22507
Seção
Artigos