Aspectos morfossintácticos do Português Angolano (PA) na produção textual de alunos do ensino secundário: caracterização de influências do contacto linguístico umbundu-português
DOI:
https://doi.org/10.21680/1517-7874.2026v28n1ID40998Resumen
No período pós-independência de Angola multiplicaram-se os estudos voltados à descrição de variedades da língua portuguesa falada nesse país, muitos dos quais vistando estabelecer uma norma nacional distinta da norma europeia até então praticada no ensino. Tais estudos, no entanto, têm privilegiado dados orais coletados em contextos extra-escolares. São poucos os trabalhos que tomam a problemática da variação e da coabitação linguística a partir das práticas de ensino, contexto no qual, não obstante, enfrentam-se situações complexas, especialmente no tocante à escrita. Neste trabalho propomos identificar e analisar, em textos escritos por alunos, ocorrências de ordem morfossintáctica que diferem da norma do Português Europeu (PE) tal como é ensinada e que podem indicar influências do contacto linguístico umbundu-português. Os dados foram coletados junto a alunos do Ensino Secundário do I ciclo na província do Huambo. Destacamos ocorrências que seriam tendencialmente identificadas como erros, construímos interpretações sobre sua motivação e procuramos identificar aquelas que podem ser atribuídas à coabitação português-umbundu. Entre os resultados, chegamos às conclusões de que: a) os textos escolares manifestam diversas características do PA já descritas na literatura; b) parte desses fenómenos, atribuídos por linguistas à influência de línguas africanas, pode ser explicada de outras maneiras; c) os indícios de transferência linguística entre o umbundu e o português são de difícil identificação, especialmente para o professor, e podem confundir-se com fenômenos próprios da escrita (truncamentos, lapsos, reformulações). Tais resultados apontam a necessidade de debates sobre a avaliação da escrita na escola, sobre a maneira como os pesquisadores vêm compreendendo o papel das chamadas ‘línguas nacionais” na formação do PA e sobre a própria compreensão das línguas, tomadas aqui como sistemas abertos, interpenetráveis e permeáveis às ações dos falantes.
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