Ifá e a organização do conhecimento

contribuições de uma tradição africana à Ciência da Informação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/2447-0198.2026v10n1ID43507

Palavras-chave:

taxonomia, Odù Corpus, tradição oral, estudos decoloniais, organização do conhecimento

Resumo

Introdução: Apresenta uma leitura da organização da informação que considera a oralidade e a tradição oral como tecnologias que moldam a construção do conhecimento. A partir do Ifá, por meio do Odù Corpus, apresentado como uma taxonomia viva, evidencia-se uma abordagem decolonial para curadoria, indexação, preservação e acesso a saberes da tradição religiosa de matriz africana em contextos educativos, museais e em bibliotecas. Objetivo: Analisar o Odù Corpus como uma taxonomia viva que pode orientar uma abordagem decolonial na organização da informação, articulando oralidade, memória e curadoria para ampliar o acesso e a governança de saberes em contextos informacionais diversos. A hipótese central é que a oralidade funciona como memória coletiva, fornecendo fundamentos contextuais e históricos que enriquecem práticas informacionais sem impor estruturas classificatórias ocidentais hegemônicas. Metodologia: Pesquisa qualitativa, de abordagem teórico-analítica, que examina como o Odù Corpus pode orientar procedimentos de organização da informação e políticas de governança que valorizem a diversidade epistemológica e a participação da tradição religiosa de matriz africana. Resultados: O Odù Corpus é apresentado como uma ferramenta de leitura que transforma saberes tradicionais em recursos informacionais capazes de sustentar políticas de acesso mais inclusivas e democráticas, evitando a apropriação e assegurando contextualização adequada na recuperação da informação. Conclusão: Espera-se contribuir para práticas de curadoria, preservação e governança que reconheçam a legitimidade de múltiplas epistemologias, promovam inclusão digital e estabeleçam políticas de acesso que respeitem contextos históricos e tradições religiosas de matriz africana, consolidando o Ifá como uma taxonomia viva.

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Biografia do Autor

Denilson Fiuza, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestre em Ciência da Informação (UFMG), Mestre por Notório Saber pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) e pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Licenciado em Educação Física pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Graduado em Logística e com Especialista em Raça, Gênero e Sexualidade: Interseccionalidade e Marcadores Sociais da Diferença - Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Recursos, Serviços e Práxis Informacionais (NERSI), dedica-se a pesquisas e discussões sobre raça, equidade e políticas públicas no Brasil. Atua na promoção de práticas inclusivas e diversificadas na Educação Física e tem comprometimento com causas sociais e educacionais que visam estimular a reflexão crítica sobre questões raciais, valorizando as tradições religiosas africana e afro-brasileira.

Ana Paula Meneses Alves, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutora em Ciência da Informação pela Faculdade de Filosofia e Ciências - Unesp - Campus Marília em regime de cotutela com a Universidade de Granada - Espanha, na qual recebeu o título de Doutora em Ciências Sociais. Mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos. Bacharel em Biblioteconomia pela pela Faculdade de Filosofia e Ciências - Unesp - Campus Marília. Atualmente é Professora Adjunta da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, atuando nos cursos de Graduação de Biblioteconomia e Museologia e na Pós-graduação em Ciência da Informação (Nível - Mestrado e Doutorado). Desenvolve atividades de pesquisa, ensino e extensão nos seguintes temas: Recursos e Serviços de Informação (Competência Informacional; Fontes de informação; Organização bibliográfica; Serviço de referência e informação); Uso ético da Informação (Aspectos éticos da produção científica, Plágio acadêmico); Informação e saúde (Atuação do profissional da informação na área de informação científica e tecnológica em saúde; Uso e ensino de fontes de informação em saúde; Competência em Informação voltada à informação científica e tecnológica em saúde; Desinformação e saúde; Saúde e Memória) e Informação e Emancipação Social (Justiça Social, Justiça Informacional, Justiça Racial, Vulnerabilidade em Informação, Pobreza Informacional, Informação e Crises). Líder no Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Recursos, Serviços e Práxis Informacionais (NERSI- UFMG). Faz parte do ''Grupo de Pesquisa Comportamento e Competência informacionais'' da Universidade Estadual Paulista - Unesp - Campus Marília e do ''Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Métricas da Informação'' da Universidade de São Paulo - USP - Ribeirão Preto, ambos certificados pelo CNPq. É membro da Associação de Bibliotecários de Minas Gerais e da Federação Brasileira de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (Febab). Associada à Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (Ancib). Membro da Rede Brasileira de Letramento em Saúde REBRALS. Foi a primeira Coordenadora e uma das responsáveis pela criação do Grupo de Trabalho Relações Étnico-Raciais e Decolonialidades da Febab (2020-2021). Foi membro do Grupo de Trabalho de Competência em Informação, da FEBAB, no período de 2020-2021. Foi coordenadora do Centro de Estudos Africanos da UFMG no período de set.2023 a set.2025. A partir de julho de 2025 está realizando pós-doutoramento na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique.

Douglas Emiliano Januário Monteiro, Instituto Federal de Minas Gerais

Nascido em Alvinópolis-MG, pai de duas filhas e torcedor do Alvinopolense Futebol Clube (AFC). Possui licenciatura em Geografia e mestrado em Extensão Rural pela Universidade Federal de Viçosa. Doutorado em Geografia pela UFMG. Docente do IFMG-campus Arcos-MG. Experiência docente em educação fundamental, médio e superior; além à educação ambiental: ensino de solos e meio ambiente no Museu Ciências da Terra Alexis Dorofeef-UFV.Atuou como educador e coordenador popular na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP-UFV.), assessorando grupos para o trabalho em equipe, concernentes às atividades da Economia Solidária em Agricultura Familiar e Carcerária. Atualmente exerce atividades em prospecção de evidências às áreas de Justiça, Segurança Pública, Direitos Humanos e Mulheres à Controladoria-Geral da União-CGU. Parecerista na Revista ODEERE: Revista Internacional de Relações Étnicas (ISSN 2525-4715).Área de interesse acadêmico: ensino de Geografia; Geografia Cultural; Fenomenologia, Populações Afro-brasileiras e Idosa; Politicas Públicas.

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Publicado

06-11-2026

Como Citar

FIUZA, Denilson; MENESES ALVES, Ana Paula; JANUÁRIO MONTEIRO, Douglas Emiliano. Ifá e a organização do conhecimento: contribuições de uma tradição africana à Ciência da Informação. Revista Informação na Sociedade Contemporânea, Natal, v. 10, n. 1, p. e43507, 2026. DOI: 10.21680/2447-0198.2026v10n1ID43507. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/informacao/article/view/43507. Acesso em: 6 nov. 2026.

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