TERRITÓRIO, IDENTIDADE E RESISTÊNCIA
A LUTA DA COMUNIDADE QUILOMBOLA MUCAMBO EM SANTA CRUZ DE GOIÁS
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID42151Palavras-chave:
Comunidades quilombolas, Legitimação territorial, Preservação culturalResumo
A Constituição Federal de 1988 representa um marco histórico ao reconhecer a trajetória e as territorialidades das comunidades quilombolas, formadas por descendentes de escravizados fugitivos. Apesar de quase quatro décadas de legitimidade, essas comunidades ainda enfrentam desafios significativos para a efetivação de seus direitos, especialmente quanto à posse dos territórios e à preservação de sua cultura. Persistem entraves burocráticos, discriminação étnico-racial e conflitos fundiários que dificultam o acesso à terra e perpetuam injustiças históricas. Nesse contexto, os quilombolas seguem lutando por justiça social, educação, saúde e representatividade política. O processo de reconhecimento e regularização fundiária permanece lento e desigual, refletindo a complexidade das relações entre o Estado e as comunidades tradicionais. Este estudo busca compreender como o Estado brasileiro percebe e trata a territorialização e as tradições culturais quilombolas, tomando como referência a Comunidade Mucambo, localizada em Santa Cruz de Goiás. A metodologia envolveu pesquisa bibliográfica, análise documental e de registros fotográficos, além de entrevistas com representantes da comunidade. As informações obtidas em fontes secundárias e relatos orais possibilitaram um olhar aprofundado sobre o processo de reconhecimento do território. Ao final, evidencia-se que a Comunidade Mucambo enfrenta múltiplos desafios no percurso de legitimação territorial e preservação cultural, mas mantém formas de resistência que reafirmam sua identidade e fortalecem sua luta por direitos e justiça social.Parte superior do formulário
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