Quando o código governa o aprender

Mediação algorítmica, ética do conhecimento e justiça cognitiva no currículo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID42430

Palavras-chave:

mediação algorítmica, currículo, ética do conhecimento, justiça cognitiva, tecnologia educacional

Resumo

Este artigo examina como a plataformização do ensino e a mediação algorítmica vêm reconfigurando o currículo escolar, deslocando decisões pedagógicas para arquiteturas de dados que definem o que se torna visível, avaliável e ensinável. Em perspectiva filosófico-educacional, argumenta-se que o “governo do aprender” por métricas, recomendadores e painéis de desempenho não é neutro: ele institui regimes de verdade sobre o que conta como aprendizagem, organiza prioridades curriculares e pode ampliar desigualdades ao privilegiar o mensurável, o padronizável e o comparável. Metodologicamente, trata-se de um estudo qualitativo de natureza teórico-documental, baseado na análise crítica de marcos normativos e diretrizes públicas relacionados a currículo, avaliação e tecnologia educacional, articulados a uma revisão bibliográfica sobre ética do conhecimento e justiça cognitiva. A discussão evidencia quatro movimentos centrais: (i) a tradução do currículo em dados e indicadores; (ii) a opacidade decisória e a naturalização de critérios algorítmicos; (iii) a padronização de ritmos e trajetórias de aprendizagem; e (iv) o tensionamento da autonomia docente e da pluralidade epistemológica. Como contribuição, propõe-se um conjunto de critérios para uma agenda ética de tecnologia educacional — transparência, explicabilidade, pertinência pedagógica, proteção de direitos e compromisso com a diversidade de saberes — reposicionando o currículo como prática pública orientada por justiça cognitiva.

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Biografia do Autor

Jackson Morais Barcelos, Secretaria Estadual de Educação do Paraná

Jackson Morais Barcelos é educador do campo, pesquisador e mestre em Ensino das Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Paraná (PROFCIAMB/UFPR). Caiçara de Guaraqueçaba-PR, com raízes na comunidade tradicional do Costão, desenvolve sua atuação em territórios insulares, com foco na valorização dos saberes locais, educação contextualizada e resistência cultural das comunidades de pescadores artesanais. É graduado em Letras, História e Pedagogia pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, e em Educação do Campo – Ciências da Natureza pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Também possui especializações em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, História e Biologia, todas realizadas pela UNINTER. Desde 2013, atua como professor da rede estadual do Paraná, com práticas pedagógicas baseadas em temas geradores, epistemologias do território e metodologias Freirianas, voltadas à realidade das comunidades caiçaras. É idealizador do projeto Pedagogia Caiçara (www.pedagogicocaicara.com.br), espaço de articulação entre escola, cultura e território, voltado à educação do campo, extensão crítica e produção de conhecimento a partir dos modos de vida das comunidades tradicionais do litoral paranaense.

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Publicado

23-02-2026

Como Citar

MORAIS BARCELOS, Jackson. Quando o código governa o aprender: Mediação algorítmica, ética do conhecimento e justiça cognitiva no currículo. Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação, [S. l.], v. 26, n. 1, p. AI06, 2026. DOI: 10.21680/1984-3879.2026v26n1ID42430. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/saberes/article/view/42430. Acesso em: 24 fev. 2026.

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