Quando o código governa o aprender
Mediação algorítmica, ética do conhecimento e justiça cognitiva no currículo
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID42430Palavras-chave:
mediação algorítmica, currículo, ética do conhecimento, justiça cognitiva, tecnologia educacionalResumo
Este artigo examina como a plataformização do ensino e a mediação algorítmica vêm reconfigurando o currículo escolar, deslocando decisões pedagógicas para arquiteturas de dados que definem o que se torna visível, avaliável e ensinável. Em perspectiva filosófico-educacional, argumenta-se que o “governo do aprender” por métricas, recomendadores e painéis de desempenho não é neutro: ele institui regimes de verdade sobre o que conta como aprendizagem, organiza prioridades curriculares e pode ampliar desigualdades ao privilegiar o mensurável, o padronizável e o comparável. Metodologicamente, trata-se de um estudo qualitativo de natureza teórico-documental, baseado na análise crítica de marcos normativos e diretrizes públicas relacionados a currículo, avaliação e tecnologia educacional, articulados a uma revisão bibliográfica sobre ética do conhecimento e justiça cognitiva. A discussão evidencia quatro movimentos centrais: (i) a tradução do currículo em dados e indicadores; (ii) a opacidade decisória e a naturalização de critérios algorítmicos; (iii) a padronização de ritmos e trajetórias de aprendizagem; e (iv) o tensionamento da autonomia docente e da pluralidade epistemológica. Como contribuição, propõe-se um conjunto de critérios para uma agenda ética de tecnologia educacional — transparência, explicabilidade, pertinência pedagógica, proteção de direitos e compromisso com a diversidade de saberes — reposicionando o currículo como prática pública orientada por justiça cognitiva.
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