Uma análise sobre a revitimização e violação de Direitos Humanos das mulheres exercido pela polícia na atividade pré-jurisdicional

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1982-310X.2021v14n3ID25615

Palavras-chave:

Controle externo, Direitos humanos, Gênero, Violência, Polícia

Resumo

A atividade exercida pela polícia no âmbito dos primeiros contatos de mulheres vítimas de violência doméstica com o poder público até a conclusão do inquérito policial possui um caráter pré-jurisdicional. Contudo, é durante esse processo de acolhimento, escuta das vítimas e investigações que podem ocorrer situações de revitimização e, consequentemente, violações de direitos humanos. Assim, a presente pesquisa realizou uma revisão bibliográfica para compreender o contexto histórico-social que favorece à uma pretensa, mas não efetiva, tutela dos direitos da mulher pela atividade policial. A pesquisa debruça-se sobre alguns casos analisados   no âmbito da Vara de Violência Doméstica da Comarca de Santa Rita, na Paraíba, compreendendo a partir do estudo fático o fenômeno da revitimização. A partir disso, depreende-se que o controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério Público é um caminho para coibir possíveis violações de direitos humanos no âmbito da atividade pré-jurisdicional exercida pelas autoridades policiais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Antônio Alves Pontes Trigueiro da Silva, Universidade Federal da Paraíba

Mestre em Ciências Jurídicas, com ênfase em Direitos Humanos, pela Universidade Federal da Paraíba. Graduado em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em 2016. Atua como Legal Outreach Specialist na Google Brasil (desde 2021). Assessor Jurídico da Promotoria de Justiça da Tutela Coletiva do Sistema Prisional e Direitos Humanos do Ministério Público da Paraíba (2017-2021). Atuou como estagiário docente da disciplina Direito Processual Coletivo, no curso de graduação em Direito da Universidade Federal da Paraíba (2019.2). Atuou como estagiário no Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (2014-2016). Atuou como Bolsista (Probex) pelo Projeto de Extensão "É preciso falar de política! A construção da cidadania pelo conhecimento", sob orientação da Profª. Ana Adelaide Guedes Pereira Rosa Lira (2015-2016). Atuou como Pesquisador Voluntário (PIVIC) pelo Projeto de Pesquisa "Análise Econômica das Regras e Princípios: como o Direito pode incentivar a cooperação e inibir o comportamento oportunista", sob orientação da Profª. Flavianne Fernanda Bitencourt Nóbrega (2015). Atuou como Estagiário na Comissão de Processo Administrativo Disciplinar da Prefeitura Municipal de João Pessoa (2012-2014)

Juliana Trindade Ribeiro Pessoa Pordeus, Universidade Federal de Pernambuco

Mestranda pelo Programa de Pós- Graduação em Direito da Universidade Federal de Pernambuco. Especialista em Ciências Criminais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Graduada em Direito pelo Centro Universitário de João Pessoa. Integrante do Grupo de Pesquisa Política Criminal, Sistema Penitenciário e Direitos Humanos (GPOC – UFPB) junto ao CNPq. Integrante do Grupo de Pesquisa Sistema Penal, Democracia e Direitos Humanos junto  ao CNPq. Advogada. Membro da Comissão de Combate à Violência e Impunidade contra à Mulher da OAB – PB.

Referências

AGRA, Wendell Beetoven Ribeiro. O controle das políticas de segurança pública e da eficiência da atividade policial. p. 133/150. O Ministério Público e o controle externo da atividade policial. Conselho Nacional do Ministério Público - Vol.2 – Brasília: CNMP, 2019.

AMOROZO, M.; MAZZA, L.; BUONO, R. No Brasil, só 7% das cidades têm delegacias de atendimento à mulher. Revista Piauí: notícia veiculada em 30 dez. 2020. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/no-brasil-so-7-das-cidades-tem-delegacias-de-atendimento-mulher/. Acesso em: 20 maio 2021.

ÁVILA, Thiago André Pierobom de. Controle Externo Da Atividade Policial Pelo Ministério Público. 1327 f. Tese de Doutorado em Ciências Jurídico-Criminais. Universidade de Lisboa, 2014. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&ved=2ahUKEwj6?MjO7p7xAhVOrpUCHeS4APgQFjACegQIBBAE&url=https%3A%2F%2Frepositorio.ul.pt%2Fbitstream%2F10451%2F17696%2F1%2Fulsd070111_td_Thiago_Avila.pdf&usg=AOvVaw3d1YnrLtBsIA0xxjIV8ZKI. Acesso em: 20 maio 2021.

ÁVILA, Thiago André Pierobom de. Violência contra a mulher: consequências da perspectiva de gênero para as políticas de segurança pública. Revista da Faculdade de Direito da UFPR, Biblioteca Digital de Periódicos, Curitiba, v.62, n°3, set/dez. 2017, p.103-132, 2017. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/direito/article/view/51841/34342. Acesso em: 14 maio 2021.

BRASIL. Lei n° 14.149, de 05 de maio de 2021. Institui o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, a ser aplicado à mulher vítima de violência doméstica e familiar. Diário Oficial da União: Brasília, publicado em 06 de maio de 2021. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/lein-14.149-de-5-de-maio-de-2021-318198245. Acesso em 02 jun. 2021.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 2021. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm. Acesso em: 20 mai. 2021.

BRASIL. Congresso Nacional. LEI Nº 14.149, DE 5 DE MAIO DE 2021. Institui o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, a ser aplicado à mulher vítima de violência doméstica e familiar. Brasília-DF: Diário Oficial da União, 2021. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.149-de-5-de-maio-de-2021-318198245. Acesso em: 22 maio 2021.

BRASIL. Portal do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Canais registram mais de 105 mil denúncias de violência contra mulher em 2020. Notícia veiculada em 08 mar. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/assistenciasocial/2021/03/canais-registram-mais-de-105-mil-denuncias-de-violencia-contra-mulher-em2020. Acesso em: 20 maio 2021.

BRETAS, Marcos Luiz. O informal no formal: a justiça nas delegacias cariocas da República Velha. Discursos Sediciosos, Crime, Direito e Sociedade, 1 (2): 213- 222. Rio de Janeiro, Instituto Carioca de Criminologia, 1996.

CARUNCHO, Alexey Choi; GLITZ, André Tiago Paternak. Estudos e Análises baseadas nos dados do controle externo da atividade policial colhidos nos termos da resolução CNMP n°20/2017. p.193/215. O Ministério Público e o controle externo da atividade policial. Conselho Nacional do Ministério Público - Vol.2 – Brasília: CNMP, 2019.

CARVALHO, G. A.; SILVA, E. J. Violência De Gênero E O Atendimento Policial Às Mulheres (Re)Vitimizadas: Uma Análise Do Cenário Em Palmas/To. Aturá - Revista Pan-Amazônica de Comunicação: Palmas, v. 2, n. 3, p. 121-144, set-dez. 2018.

CHAI, C. G.; SANTOS, J.P; CHAVES, D.G. Violência Institucional Contra A Mulher: O Poder Judiciário, De Pretenso Protetor A Efetivo Agressor. Revista Eletrônica do Curso de Direito da UFSM: Santa Maria, v. 13, n. 2, p.640-665, 2018.

CIDH - Corte Interamericana de Direitos Humanos. Convenção Interamericana Para Prevenir, Punir E Erradicar A Violência Contra A Mulher- “Convenção De Belém Do Pará”. Belém Do Pará, Brasil, 9 jun. 1994. Disponível em: http://www.cidh.org/basicos/portugues/m.belem.do.para.htm. Acesso em: 17 maio 2021.

COTRIM, T.P.; BARROCA, A.B.G.; MARQUES, A.E.A.; MEDEIROS, R.R.G. A pandemia do Coronavírus e a virtualização da delegacia especializada em atendimento à mulher do estado do Rio Grande do Norte. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.2, p. 17645-17660,

fev. 2021.

ENGEL, Cíntia Liara. A Violência Contra a Mulher. Brasília: Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada, Ministério da Economia, 2019. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/retrato/pdf/190215_tema_d_a_violenca_contra_mulher.pdf. Acesso em: 19 maio 2021.

Mapa da Violência de Gênero: Mulheres são quase 67% das vítimas de agressão física no Brasil. Portal Gênero e Número. Reportagem veiculada em 13 nov. 2020. Disponível em: http://www.generonumero.media/mapa-da-violencia-de-genero-mulheres-sao-quase-67-dasvitimas-de-agressao-fisica-no-brasil/. Acesso em: 18 maio 2021.

MARSILLAC, Narbal. Retórica e Direitos Humanos. 1. ed. Curitiba: Appris, 2020.

MEZA, E.C.C.M.; FRANCA, I.B.L. A violência doméstica e a revitimização da mulher no judiciário: um estudo de caso do município de Santo André. In: V Encontro Nacional de

Antropologia do Direito, São Paulo, 2017. Disponível em:

http://www.enadir2017.sinteseeventos.com.br/arquivo/downloadpublic2?q=YToyOntzOjY6InBhcmFtcyI7czozMzoiYToxOntzOjEwOiJJRF9BUlFVSVZPIjtzOjI6Ijg0Ijt9IjtzOjE6ImgiO3M6MzI6IjgzNmNmYzBjNjMwY2Y2OTRhYTZiNzRmMmE0ZjE4MDVjIjt9. Acesso em: 16 maio 2021.

MISSE, Michel. Violência e teoria social. Dilemas - Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, Rio de Janeiro, Vol. 9, n° 1, jan-abr. 2016, pp. 45-63. Disponível em:

http://necvu.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Violencia_e_teoria_social.pdf. Acesso em: 20 maio 2021.

PANIKKAR, Raimundo. Seria a noção de direitos humanos um conceito ocidental? In: BALDI, Cesar. Direitos Humanos na Sociedade Cosmopolita. Rio de Janeiro: Editora Renovar, 2004.

RAWLS, John. Uma teoria da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

REBOUÇAS, Gabriela Maia. O avesso do sujeito: provocações de Foucault para pensar os direitos humanos. Revista Opinión Jurídica, Medellín, Vol. 14, n° 28, jul-dec. 2015, pp. 45-62., 2015.

SÍRIO, Antônio Iran Coelho. O Controle Externo da Atividade Policial. Revista do Movimento do Ministério Público Democrático - Dialógico, Fortaleza, ano VII, n° 32, p.30-31, 2011. Disponível em: http://tmp.mpce.mp.br/orgaos/CAOCRIM/Publicacoes/Dialogico32.pdf. Acesso em: 20 maio 2021.

ZALUAR, Alba. UM DEBATE DISPERSO - violência e crime no Brasil da redemocratização. Revista São Paulo em perspectiva, São Paulo, vol. 13, n° 3, 1999. Disponível em:

https://www.seade.gov.br/wp-content/uploads/2014/07/v13n3.pdf. Acesso em: 15 maio 2021.

Downloads

Publicado

20-08-2021

Como Citar

SILVA, Antônio Alves Pontes Trigueiro da; PORDEUS, Juliana Trindade Ribeiro Pessoa. Uma análise sobre a revitimização e violação de Direitos Humanos das mulheres exercido pela polícia na atividade pré-jurisdicional . Revista Digital Constituição e Garantia de Direitos, [S. l.], v. 14, n. 3, p. 200–217, 2021. DOI: 10.21680/1982-310X.2021v14n3ID25615. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/constituicaoegarantiadedireitos/article/view/25615. Acesso em: 4 ago. 2026.

Edição

Seção

Artigos

Artigos Semelhantes

<< < 21 22 23 24 25 26 27 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.