A PALAVRA COMO TERRITÓRIO DE RESISTÊNCIA
VOZES DOCENTES E SENTIDOS CURRICULARES NA SOCIOEDUCAÇÃO EM MEIO ABERTO
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID42180Palavras-chave:
currículo, socioeducação, docência, análise dialógica do discurso, BakhtinResumo
Este artigo analisa os sentidos de currículo e socioeducação presentes nas vozes de docentes que trabalham em uma escola pública estadual localizada em território periférico de Belém, Pará, a qual também atende adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto, na modalidade Liberdade Assistida. Ancorada na filosofia da linguagem de Bakhtin, na pedagogia dialógica de Paulo Freire e nas contribuições de Miguel Arroyo, bem como na perspectiva curricular de Gimeno Sacristán, a investigação compreende a palavra docente como ato responsivo, valorado e ideologicamente situado. O corpus é constituído por entrevistas semiestruturadas com quatro professores de diferentes áreas do conhecimento, articuladas à leitura de documentos normativos da educação básica. A análise dialógica discursiva permitiu interpretar tensões entre currículo prescrito e currículo vivido, revelando conflitos, resistências e práticas orientadas à justiça social. As categorias bakhtinianas de dialogismo, responsividade, valoração, vozes ideológicas, polifonia e alteridade sustentam a leitura das enunciações docentes, enquanto a compreensão de Sacristán acerca do currículo como prática social e politicamente disputada aprofunda a análise das mediações pedagógicas produzidas em contextos de vulnerabilidade. Conclui-se que a palavra docente se configura como território de disputa simbólica e de produção de sentidos ético-políticos na socioeducação em meio aberto.
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