RELAÇÕES INDIVÍDUO–MUNDO E EDUCAÇÃO CIENTÍFICA
CONTRIBUIÇÕES DE ARISTÓTELES A FOUCAULT
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID43121Palavras-chave:
ontologia, aprendizagem, educação científica, filosofiaResumo
Este artigo analisa diferentes abordagens ontológicas da relação indivíduo–mundo e discute suas contribuições para os debates contemporâneos da educação científica. Por meio de uma análise teórico-conceitual, são examinadas as perspectivas de Aristóteles, Descartes, Kant e Foucault, tendo como eixo central a compreensão que esses pensadores têm da produção do conhecimento, da racionalidade humana e dos processos de aprendizagem. Em Aristóteles, destacam-se as noções de epistēmē, práxis, phronesis e contingência, articuladas à formação ética e à tomada de decisões responsáveis, em diálogo com propostas atuais, como a abordagem Ciência–Tecnologia–Sociedade (CTS) e a Educação Científica Crítica (ECC). A análise de Descartes enfatiza o papel do método, da dúvida e da racionalidade analítica na aprendizagem, reconhecendo suas contribuições ao rigor científico, mas também seus limites diante da complexidade do real, problematizados à luz do pensamento complexo. Em Kant, o foco recai sobre a autonomia intelectual e moral do sujeito, a centralidade da razão na construção do conhecimento e as implicações dessas ideias para discussões sobre a Natureza da Ciência e a formação cidadã. Por fim, a leitura foucaultiana do esclarecimento kantiano introduz uma ontologia crítica, centrada na maioridade como atitude ética permanente e na análise das relações de poder que atravessam as práticas científicas e educacionais. O artigo conclui que o diálogo entre diferentes ontologias amplia a compreensão epistemológica da educação científica e fortalece propostas formativas comprometidas com a criticidade, a cidadania, a transformação social e a formação de pesquisadores(as), contribuindo para uma releitura aprofundada dos fundamentos da Educação Científica Crítica.
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