DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA MORFOLÓGICA NO ENSINO FUNDAMENTAL
A PRÁTICA DA SOLETRAÇÃO COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID41908Palavras-chave:
consciência morfológica, soletração de palavras, aprendizagem de ortografiaResumo
A capacidade de aprender uma língua se refere a uma faculdade natural da linguagem, formada, entre outros elementos, por uma intuição linguística que permite ao aprendiz adquirir a língua em toda a sua complexidade (Chomsky, 1998, 2015). A intuição do falante com relação à sua própria língua precisa ser explicitada e, com esse objetivo, os estudos sobre consciência morfológica têm se desdobrado (Mota; Silva, 2007; Guimarães; Mota, 2018). Ela se refere à habilidade de refletir e manipular as menores unidades de significado das palavras, os morfemas (Mota; Silva, 2007). O desenvolvimento dessa consciência, enquanto habilidade metalinguísticas, é fundamental para o domínio da escrita, auxiliando na identificação de padrões morfológicos em diferentes contextos linguísticos (Guimarães; Mota, 2018). No contexto pós-pandêmico, observamos, enquanto professores dos anos finais do Ensino Fundamental, que os alunos apresentam uma dificuldade mais acentuada no que se referia à padronização de questões ortográficas. Diante disso, desenvolvemos um projeto intitulado “Soletring”, que se constituía na prática de soletração de palavras, sendo que algumas delas eram em língua inglesa (por isso o “-ing”), tendo em vista que era um projeto interdisciplinar. A soletração não foi utilizada como uma técnica mecânica e isolada, mas buscamos desenvolver uma habilidade metacognitiva nos alunos – que, por exemplo, podiam escrever a palavra em um quadro antes de soletrar. Objetivamos, portanto, que os alunos identificassem e aplicassem padrões morfológicos, entendo que o reconhecimento das unidades de significado é fundamental para lidar com as irregularidades ortográficas da Língua Portuguesa (Mota; Silva, 2007; Mota, 2009; Guimarães; Mota, 2018).
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