As redes de difusão dos saberes no turismo em comunidades tradicionais na Bahia

Autores

  • Salete Vieira UNEB- Universidade do Estado da Bahia
  • Clícia Maria de Jesus Benevides UNEB- Universidade do Estado da Bahia
  • Natália Silva Coimbra de Sá UNEB- Universidade do Estado da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.21680/2357-8211.2025v13n1ID36499

Palavras-chave:

turismo, comunidades tradicionais, Bahia, redes

Resumo

As estratégias de comunidades e povos tradicionais têm contribuído para que as mesmas se organizem por meios coletivos, em redes e alianças no turismo. Essas iniciativas vêm influenciando diversas práticas no Brasil e em especial na Bahia. Esse estudo busca identificar e analisar as principais redes de turismo que tecem as comunidades tradicionais do estado da Bahia, além de fazer um breve histórico e um registro da sua organização e de como essas redes funcionam atualmente. A metodologia consiste em pesquisa bibliográfica e análise de documentação técnica vinculada a essas experiências no período de 2010 a 2022. Após a análise e identificação das redes foram realizadas entrevistas semiestruturadas, entre 2022 e 2023, com lideranças do Instituto Pataxó de Etnoturismo, Rede EMUNDE (Rede Mundial de Étnico Empreendedorismo), Rede de Turismo de Itaparica, Rede BATUC (Rede Baiana de Turismo Comunitário) e da Rota da Liberdade de Turismo Étnico de Base Comunitária. Posteriormente, com base nos dados, foi utilizado o software Gephi para analisar as interligações existentes. Verificou-se que as redes de turismo em comunidades tradicionais baianas são uma estratégia de poder e (re)existência destes povos implicando no fortalecimento e da necessidade de políticas públicas adequadas e estudos voltados a essas iniciativas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Clícia Maria de Jesus Benevides, UNEB- Universidade do Estado da Bahia

Possui Estágio em nível de Pós-Doutoramento na área de Química Analítica pela Universidade do Porto, Portugal-Faculdade de Farmárcia e pela Universidade Federal da Bahia-UFBA-Instituto de Química (2011). Doutora em Química pela Universidade Federal da Bahia -UFBA-Instituto de Química (2008). Mestre em Nutrição pela Universidade Federal da Bahia-UFBA-Escola de Nutrição (2002). Especialista em Controle de Qualidade dos Alimentos- Universidade Federal da Bahia-UFBA-Escola de Nutrição (2002). Graduação em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa (1986). Profa Titular/Pleno da Universidade do Estado da Bahia-UNEB-Departamento Ciências da Vida-DCV. Participa como Professor Permanente do Doutorado MultiI-Institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento -DMMDC (Uneb, Ufba, Ifba, Senai). Fez parte do Comitê Externo de Iniciação Científica e Tecnológica do IFBA e do Comitê Interno de Iniciação Científica da UNEB; Tem experiência na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos, atuando em pesquisas com ênfase em substâncias nutricionais, antinutricionais e bioativas em alimentos; Desenvolvimento de produtos inovadores com produtos agrícolas não convencionais (palma forrageira, leguminosas germinadas, semente de abobora, etc); experiência em economia solidária em comunidades vulneráveis, sustentabilidade com aproveitamento integral dos alimentos, meio ambiente (controle biológico de moscas das frutas), Tecnologias Sociais. Coordenou o curso de Especialização em Gestão em Saúde -modalidade à Distância da UNEB / Universidade Aberta do Brasil-UAB no periodo de 2010-2019. Participou da Comissão de Apoio à Diretoria de Educação a Distância na gestão do Programa Nacional de Formação em Administração Pública - PNAP do Sistema UAB da CAPES. É vice-líder do GPAN-Grupo de Pesquisa em Alimentos e Nutrição.

Natália Silva Coimbra de Sá, UNEB- Universidade do Estado da Bahia

Professora Adjunta no Departamento de Ciências Humanas (DCH-I) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) - Campus Salvador e permanente no Doutorado Multi-Institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento (DMMDC - IFBA/LNCC/SENAI-CIMATEC/UEFS/UNEB/UFBA). Estágio de Pós-Doutorado no Exterior pelo PDE/CAPES no Institute of Latin American Studies (ILAS) da Columbia University em Nova Iorque (EUA, 2016-2017). Doutora pelo Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (2011). Estágio de doutorado no exterior (doutorado sanduíche) na Columbia University de Nova Iorque (EUA, 2009-2010). Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano (PPDRU/Análise Regional) da Universidade Salvador (2007). Especialista em Gerenciamento Ambiental pela Universidade Católica do Salvador (2004). Possui graduação em Turismo pela Universidade Salvador (2002). Vice-líder do Grupo Multidisciplinar Sociedade Solidária, Espaço, Educação e Turismo - SSEETU (UNEB/CNPq). Membro do grupo de pesquisa Espetáculos Culturais e Sociedade - ECUS (UFBA/CNPq). Atua principalmente nas áreas de cultura e sociedade; hospitalidade; migrações; redes, fluxos e mobilidade; identidades, diversidade e inclusão em contextos turísticos e migratórios; turismo de base comunitária; festas populares; espetáculos culturais.

Referências

Baggio, R., & Cooper, C. (2010). Network science: A review focused on tourism. Annals of Tourism Research, 37(3), 802-827. https://doi.org/10.1016/j.annals.2010.02.008

Barabási, A. L. (2002). Linked- How everything is connected to everything else and what it means for Business, Science and Everydai Life. Cambridge, Massachusetts: Perseus Publishing.

Bartholo, R., Sansolo, D., & Bursztyn, I. (Orgs.). (2009). Turismo de base comunitária: Diversidade de olhares e experiências brasileiras. Rio de Janeiro, RJ: Letra e Imagem.

Benko, G. (2009) Economia urbana e regional na virada de século. In: Ribeiro, M.T.F.; Milani, C.R.S. (orgs). Compreendendo a complexidade socioespacial contemporânea: o território como categoria de diálogo interdisciplinar. Salvador: EDUFBA. Disponível em: http://books.scielo.org/id/37t/pdf/ ribeiro-9788523209322-05.pdf. Acesso em: 15 set 2022.

Brasil. Ministério da cidadania. Secretaria Social do Desenvolvimento Social. (2009) Povos e Comunidades Tradicionais. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: http://mds.gov.br/assuntos/seguranca-alimentar/direito-a-alimentacao/povos-e-comunidades-tradicionais. Acesso em 20 set 2023.

Brasil. Ministério do Turismo. (2015). Boas práticas: rede caiçara de turismo comunitário. Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/turismo/pt-br/centrais-de-conteudo/04-12-15-boas-praticas-rede-caicara-de-turismo-comunitario-pdf. Acesso em 20 ago 2023.

Brasil. Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDAS). (2018). Povos e comunidades tradicionais e suas relações com o território. Disponível em: https://www.mds.gov.br. Acesso em 28 de janeiro de 2025.

Belletti, G., & Marescotti, A. (2021). O papel das redes para o desenvolvimento do turismo rural e da valorização dos produtos de origem. Redes. Revista do Desenvolvimento Regional, 26. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5520/552070455026/552070455026.pdf. Acesso em 20 jan 2025.

Capra, F. (2001). A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix, 2001.

Di Felice, M. Torres, J. C., Tanaze, L. K. H. (2012). Redes digitais e sustentabilidade: as interações com o meio ambiente na era da informação. São Paulo: Annablume.

Dias, L. C. (2005). Os sentidos da rede: notas para discussão. Redes, sociedades e territórios, v. 2, p. 11-28.

Emmendoerfer, M. L., Moraes, W. V. D., & Fraga, B. O. (2016). Turismo criativo e turismo de base comunitária: congruências e peculiaridades. El periplo sustentable, (31).

Fabrino, N. H., do Nascimento, E. P., & Costa, H. A. (2016). Turismo de Base Comunitária: uma reflexão sobre seus conceitos e práticas. Caderno Virtual de Turismo, 16(3).

Flecha, A. C. (2010). Alinhamento competitivo dos atores componentes de uma rede de turismo. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção). Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas, Universidade Paulista,2010.

Flecha, A. C.; Silva, A. V. C.; Fusco, J. P. A.; Bernardes, A. T. (2012). Redes de empresas e seus efeitos sobre o turismo. Revista Administração de Empresas, v.52, n.4, p.386-406. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75902012000400003. Acesso em: 12 set 2023.

Furini, L. A., & Silva, E. D. N. da. (2020). Redes de Turismo e Redes Geográficas: um estudo de caso nos limiares da pandemia de Covid-2019. Turismo e Sociedade, 13(3).

Giordano, D. M., Bruning, E., & Bordin, A. S. (2015). Uso do scriptlattes e gephi na análise da colaboração científica. Anais do Computer on the Beach, 6, 239-248.

Lazzarini, S. G. (2008). Redes de colaboração e desenvolvimento sustentável: Lições de casos brasileiros. Revista de Administração Pública, 42(6), 1069-1094. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-76122008000600002. Acesso em 20 jan 2025.

Lazzarini, S. G. (2008). Empresas em rede. São Paulo: Cengage Learning.

Lima, D. R. D. (2023). A construção de uma política pública ao revés: de movimento à Rede de Turismo Comunitário da Bahia (Dissertação de Mestrado). Universidade do Estado da Bahia, Salvador, BA.

Halme, M. (2001). Learning for sustainable development in tourism networks. Business strategy and the Environment, v. 10, n. 2, p. 100-114.

Martinho, C. (2003). Redes: uma introdução às dinâmicas da conectividade e da auto-organização. 1.ed. WWF-Brasil.

Martins, J. T. (2020). A defesa do território das comunidades tradicionais nos municípios de Ubatuba (SP) e Paraty (RJ): uma análise do Turismo de Base Comunitária da Rede Nhandereko. Dissertação (Mestrado em Geografia). Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

Metz, J., Calvo, R., Seno, E. R. M., Romero, R. A. F., & Liang, Z. (2007). Redes Complexas: conceitos e aplicações.

Moraes, E.A. Irving; M.A. Santos, J.S.C; Pinto, M.C. (2018). Redes de turismo de base comunitária: reflexões do contexto latino-americano. Revista Brasileira de Ecoturismo. São Paulo, v. 9, n. 6, p. 612-623. https://doi.org/10.34024/rbecotur.2016.v9.6569

Morin, E. (2005). Introdução ao pensamento complexo. Tradução por Eliane Lisboa. Porto Alegre: Ed. Sulina.

Rovere, M. R. (1999). Redes en Salud; un nuevo paradigma para el abordaje de las organizaciones y la comunidad. Rosario: Ed. Secretaría de Salud Pública/AMR, Instituto Lazarte.

Sampaio, C. A. C., & Coriolano, L. N. (2009). Dialogando com experiências vivenciadas em Marraquech e America Latina para compreensão do Turismo Comunitário e Solidário. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, 3(1), 4-24.

Scott, N. Baggio, R.; Cooper, C. (2008). Network analysis and tourism: From theory to practice. Channel View Publication.

Tenório, F.G. (2012). Gestão Social, um conceito não idêntico? Ou a insuficiência inevitável do pensamento.IN: CANÇADO, A.C.; TENÓRIO, F.G.; SILVA JR, J. T. (orgs). Gestão Social. Aspectos teóricos e aplicações. Unijuí: Ijuí.

Truzzi, O. M. S; Sacomano Neto, M. (2007). Economia e empreendedorismo étnico: balanço histórico da experiência paulista. Revista de Administração de Empresas, v. 47, p. 37-48. https://doi.org/10.1590/S0034-75902007000200005

Vieira, S., Benevides, C., & Sá, N. C. (2024). O turismo na Bahia e a difusão dos saberes tradicionais dos povos e comunidades da Reserva da Jaqueira, Matarandiba e Quilombo Kaonge. RITUR-Revista Iberoamericana de Turismo, 14(1), 131-147.

WTM, World Travel Market. 4º Prêmio de Turismo Responsável da América Latina. Disponível em: < https://www.wtm.com/latin-america/pt-br/programacao/premio-turismo-responsavel.html>. Acesso em 3 nov 2023.

Publicado

16-04-2025

Como Citar

VIEIRA, Salete; MARIA DE JESUS BENEVIDES, Clícia; SILVA COIMBRA DE SÁ, Natália. As redes de difusão dos saberes no turismo em comunidades tradicionais na Bahia . Revista de Turismo Contemporâneo, [S. l.], v. 13, n. 1, p. 690–712, 2025. DOI: 10.21680/2357-8211.2025v13n1ID36499. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/turismocontemporaneo/article/view/36499. Acesso em: 5 jan. 2026.

Edição

Seção

Artigos

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.