DÉFICITS DE GOVERNANÇA DEMOCRÁTICA NA POLÍTICA MINERÁRIA BRASILEIRA

estudo de caso sobre a mineração no território quilombola Kalunga

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1982-310X.2025v18n1ID41763

Palavras-chave:

Território Quilombola Kalunga, Constitucionalismo Crítico, Mineração, Déficits de Governança Democrática

Resumo

Este artigo realiza um estudo de caso sobre a mineração no Território Quilombola Kalunga para analisar os déficits de governança democrática na política minerária brasileira. Ancorado em referenciais teóricos do constitucionalismo crítico, o estudo busca entender como se configuram os reiterados desrespeitos aos Kalungas diante da ocorrência de várias situações de ausência da Consulta Prévia, Livre, Informada e Culturalmente Adequada (CPLIA) à comunidade, no setor minerário e como essa omissão afeta o pleno exercício dos seus direitos. O objetivo principal entender em quais termos se dá a ineficácia da previsão constitucional (tendo em vista ratificação de convenção internacional) de consulta prévia, evidenciada pela falta de amparo às comunidades quilombolas e a quase ausência de atuação proativa da Agência Nacional de Mineração (ANM) ou de outro ator do poder público, para fazer valer um efetivo respeito à consulta prévia; bem como busca entender como esse desrespeito à consulta prévia se conecta com a ofensa a outros direitos da população local em razão da atividade minerária. A metodologia envolveu uma revisão sistemática e um levantamento e tratamento de dados primários sobre processos minerários no terrítório Kalunga em Goiás, nas plataformas da ANM e em software privado voltado a esta finalidade, identificando-se mais de 800 processos e 34 em fase de lavra. A pesquisa conclui que a sistemática falta da CPLIA e de um protocolo específico para os Kalunga é um sintoma da desconstitucionalização fática, expondo a ineficácia dos mecanismos constitucionais de proteção frente à pressão do capital extrativista, sendo premente a implementação de políticas  e estratégias públicas integradas que fortaleçam o direito à autodeterminação quilombola.

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Biografia do Autor

Alice Santos Veloso Neves, Universidade Federal de Goiás

Doutoranda em Direitos Humanos, Mestre em Direito e Políticas Públicas e Especialista em Direito Civil, todos pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Advogada. Pesquisadora. Procuradora Geral da Câmara Municipal de Cristianópolis-GO.

Saulo Pinto Coelho, Universidade Federal de Goiás

Doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Pós-doutorado pela Universitat de Barcelona - Espanha. Coordenador do Programa de Pós-Graduação Profissional em Direito e Políticas Públicas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Presidente da Rede Brasileira de Direito e Políticas Públicas. Pesquisador do Grupo de Pesquisa Judiciária Acesso à Justiça na Comunidade Quilombola Kalunga, junto à Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

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Publicado

16-10-2025

Como Citar

SANTOS VELOSO NEVES, Alice; PINTO COELHO, Saulo. DÉFICITS DE GOVERNANÇA DEMOCRÁTICA NA POLÍTICA MINERÁRIA BRASILEIRA: estudo de caso sobre a mineração no território quilombola Kalunga. Revista Digital Constituição e Garantia de Direitos, [S. l.], v. 18, n. 1, p. 131–161, 2025. DOI: 10.21680/1982-310X.2025v18n1ID41763. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/constituicaoegarantiadedireitos/article/view/41763. Acesso em: 1 mar. 2026.

Edição

Seção

32ª Edição