As MARCAS DA HETEROGLOSSIA NA LITERATURA SURDA EM QUADRINHOS
UMA ANÁLISE DA OBRA “TRÊS PATETAS SURDOS”
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2025v25n2ID42314Palavras-chave:
Literatura surda; Quadrinhos; Verbo-visualidade; Heteroglossia.Resumo
Este artigo tem como objetivo apresentar uma discussão sobre a heteroglossia a partir da Teoria Dialógica da Linguagem, de Bakhtin e o Círculo, enfatizando a existência da heteroglossia na Literatura Surda em Quadrinhos e sua relação com a subjetividade do sujeito surdo. Considerando que a linguagem é essencialmente social e ideologicamente marcada, Bakhtin/Volóchinov (2006) propõe que os enunciados são sempre plurais e dialogam com múltiplas vozes e perspectivas. Assim, heteroglossia se manifesta como um fenômeno discursivo que emerge da interação entre diferentes sujeitos, temporalidades e ideologias. Por meio de uma abordagem interpretativa de natureza qualitativa, analisou-se a presença da multiplicidade de vozes na obra “Três Patetas Surdos”. Como resultado, destaca-se que a heteroglossia manifestou-se em diversos trechos da obra, revelando as muitas vozes pelas quais o autor e os personagens são permeados dentro de suas relações dialógicas na Literatura Surda em quadrinhos. Sendo assim, entendemos que, sob a ótica bakhtiniana, a heteroglossia é condição inerente ao funcionamento da linguagem e que também pode estar presente nas produções literárias de autoria surda.
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