DESENVOLVIMENTO DA ESCRITA ALÉM DA LETRA BASTÃO
EVIDÊNCIAS LINGUÍSTICAS E NEUROCOGNITIVAS
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n2ID44743Palavras-chave:
aquisição da leitura e da escrita; desenvolvimento da biliteracia; uso da letra cursiva; letra bastão; ciência cognitiva da leituraResumo
Este estudo examina o desenvolvimento da escrita em um contexto educacional bilíngue a partir de uma perspectiva linguística e neurocognitiva, questionando a predominância da letra bastão nos primeiros anos da alfabetização no Brasil. Com base em pesquisas sobre aquisição da linguagem, biliteracia e ciência cognitiva da leitura, o artigo argumenta que a restrição do ensino inicial da escrita a um único script empobrece o input gráfico e pode retardar a consolidação da leitura e da escrita. A discussão é sustentada por um estudo observacional longitudinal realizado em uma escola bilíngue internacional em São Paulo, com base na análise de aproximadamente 1.500 produções escritas de alunos, coletadas em 2019 e 2024. Os resultados revelam um contraste claro entre os grupos analisados: estudantes inicialmente alfabetizados exclusivamente com letra bastão apresentaram instabilidade gráfica persistente em anos posteriores, enquanto estudantes expostos desde o início a múltiplos scripts (bastão, print e cursiva) demonstraram consolidação mais precoce da escrita e maior consistência gráfica. Os achados sugerem que a exposição precoce e integrada a múltiplos scripts pode favorecer o desenvolvimento eficiente da alfabetização ao alinhar práticas pedagógicas aos mecanismos cognitivos subjacentes à aquisição da leitura. O estudo conclui com uma discussão das implicações para o ensino da alfabetização em contextos educacionais bilíngues e monolíngues.
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